“Cordiarrisagem”

“Cordiarrisagem”

Oscar Quiroga

10 de maio de 2013 | 18h22

Às 18h22 de sexta-feira 10-5-13 a Lua Nova ingressou em Gêmeos e está em conjunção com Vênus, quadratura com Netuno e conjunção com Júpiter até 10h33 de domingo 12-5-13, horário de Brasília. No mesmo período, Sol e Mercúrio em conjunção.

Saudades de quando tudo era leve, divertido, inconsequente e sem restrições tolas? Sim! A juventude contorna e retorna, mas se o seu coração estiver amargurado não encontrará campo de aterrisagem e ficará rondando, alimentando essa saudade, que já virou nostalgia melancólica a essa altura do campeonato.

Tudo pode acontecer, todos os erros você pode cometer, todos os pecados, todas as infidelidades e traições, você também pode ter recebido todas as ofensas imagináveis, mas se por acaso permitiu que seu coração aninhasse a amargura, então terá optado por ficar de fora da possibilidade de a alegria leve e tola aterrissar no seu coração, ou será que deveríamos inventar o termo “cordiarrissar” para esse evento?

Acolher é a palavra certa para isso, mas o coração não pode acolher nada se estiver todo tomado pela amargura que você colocou aí em resposta aos eventos infames e injuriosos.

Se alguma injúria você cometeu, perdoe sua alma por isso. Se alguma injúria você recebeu, deixe para lá, a vida dá voltas, e se você a recebeu porque a merecia, melhor assim, a contabilidade zerou, toque a bola para frente, e se por acaso não a merecia, deixe para lá, a vida dá voltas e cobra essa contabilidade com a mesma certeza de que o dia sempre virá depois da noite.

Afinal, se a sua mente estiver atenta para as cobranças, em momentos como agora, em que a juventude alegre espera encontrar corações que a acolham, o seu em particular estará ocupado demais com outros assuntos e perderá a oportunidade.

No fim deste período, domingo, acontece o Dia das Mães. Dizia Lacan que a mulher não existe, que só existe a Mãe. Frase assim só poderia ter surgido de uma retorcida mente francesa, incapaz de conceber o aspecto feminino universal, reduzindo tudo a uma função biológica, materialista.

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