Contabilidade anímica

Contabilidade anímica

Oscar Quiroga

08 de agosto de 2013 | 19h30

 

Das 19h30 de quinta-feira 8-8-13 até 19h06 de sexta-feira 9-8-13, horário de Brasília, a Lua que cresce em Virgem está em sextil com Marte e conjunção com Vênus.

Contabilize quantos desejos você precisaria satisfazer para sentir que a vida vale a pena e que, por isso, o tempo do sofrimento, inevitável, seria reduzido à sua mínima expressão.

Faça essa contabilidade e racionalmente, sim! pois afinal é para isso que você é capaz de pensar, racionalmente veja se é mesmo possível conciliar o tempo cronológico necessário para cumprir os deveres e a satisfação dos seus desejos.

Os deveres, que supostamente afastam você dessas satisfações, também podem, se utilizados racionalmente, aproximar você dessas.

Porém, há o tempo cronológico de por meio, severo e inflexível, que não estica nem diminui, mede o que mede e ponto final, nada há de relativo nisso, apenas o tique-taque dos relógios antigos que foram substituídos por pulsações eletrônicas, mas nem isso fez com que o tempo durasse mais do que antes.

E se for o caso de reclamar em voz alta que o tempo seria relativo, pois bem, sinto informar que acabou acontecendo o contrário na nossa modernidade, em vez de o tempo durar mais, acabou durando menos, o que na prática significa que para satisfazer nossos desejos ficou disponível uma margem de manobra mais estreita.

E, no entanto, a alma continua a mesma, decidida a não se deixar subjugar pela opressão, a se libertar de tudo e de todos.

Isso é justo e todos somos capacitados para obrar nessa direção, o problema apenas consiste em não sabermos atinar no que realmente liberta, trocando apenas de gaiolas, de umas que parecem estreitas demais para outras, bem decoradas e com janelas vistosas, mas que continuam tão opressivas quanto as outras.

Libertar-se, esse é o único desejo digno de satisfação, e só há uma dimensão que merece a concentração de toda a força de nossos desejos, que pela sua graça nos liberta de nós mesmos e de nossas ignorâncias.

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