Caos

Caos

Oscar Quiroga

14 de julho de 2014 | 23h40

 

Às 23h40 de segunda-feira 14-7-14 a Lua que míngua ingressou em Peixes e está em trígono com Mercúrio, conjunção com Netuno, sextil com Plutão, trígono com Saturno e Sol, e quadratura com Vênus até 21h57 de quarta-feira 16-7-14, horário de Brasília. No mesmo período, Júpiter ingressa em Leão.

Dor, tristeza, há um caos em ti que não se resolve, resiste a qualquer tentativa e provavelmente nem sequer há mais nenhuma tentativa para resolvê-lo, na direção desse caos tua alma desliza apaixonada porque lhe é um terreno familiar, uma estranha sensação de voltar para casa ainda que essa seja um pesadelo.

A esse caos ilimitado te agarras com paixão e não permites que ninguém ouse desafiá-lo, esse é teu caos, Tu não o compartilhas com ninguém e o defendes com toda garra quando ameaçado de ser resolvido, talvez por um olhar amoroso que te quer além do que imaginas, talvez por alguém que te abraça sem saber que em ti há esse vazio insondável que não irás compartilhar, porque é teu, o caos é todo teu, Tu o fizeste, em ti viceja e que ninguém se meta com ele, quem a isso se atrever verá tua fúria, teu despeito, tua imediata atitude de mandar tudo para o inferno, pois ninguém há de se atrever a mexer com teu caos.

Tua tristeza, tua melancolia é um luxo que te dás, mais caro do que a primeira classe de um voo muito longo, teu caos requer nutrientes e combustível que retiras de tudo o mais que há em tua existência, mas não duvidas nem por um instante em roubar o leite que nutriria um bom relacionamento para continuar te refestelando nessa orgia solitária de tua alma com o caos no qual buscas proteção.

Explicações? O caos não comporta explicações, podes fazer anos de terapia, podes fazer yoga, meditação, orar a todos os santos, podes fazer tudo isso e muito mais, porém, esse caos sobreviverá sempre, resiste a qualquer análise, resiste às orações, os Anjos não se atrevem a andar por aí.

Só podes domesticar tua consciência, um dia após o outro, sem grandes pretensões, para que ao passar pela porta que leva ao caos Tu não caias na tentação de adentrá-la e te perder nisso, que é encontrar-se no que te perde.

Nem reconhecer que não estás só nisso te salvaria, pois quem adentra a porta que leva ao caos sabe que de nada adianta haver muitos, o caos torna todas as almas solitárias e desvinculadas, feras selvagens que destroem impiedosamente qualquer sinal de ordem e conexão.

No caos perdes a identidade, és uma alma anônima.

No caos a esperança te esbofeteia como se fosse um insulto e Tu devesses te livrar dela o mais rapidamente possível, porque se atreveria a dissolver teu amado caos.

O caos vence porque tu o desejas acima de todas as outras coisas, a despeito de jurar pelo próprio Altíssimo que não é assim, que o detestas e o temes.

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