Campo de concentração para turistas

Campo de concentração para turistas

Oscar Quiroga

30 de dezembro de 2012 | 05h46

Às 5h46 de domingo 30-12-12 a Lua que começa a minguar ingressou em Leão e está em oposição a Marte, trígono com Urano e sextil com Júpiter até 21h07, horário de verão de Brasília. No mesmo período, Sol em conjunção com Plutão e sextil com Saturno.

De tensão em tensão procedem os preparativos para o réveillon. O mar não está para peixes, diria o provérbio, mas nossa humanidade caminha segura na direção de seu destino, em parte coletivo, parte pessoal também, e que seja o que o Altíssimo tiver disposto!

Neste momento o particular é exaltado em detrimento do bem comum, uma história conhecida, bastante repetida, mas que no caso de aglomerações em locais de veraneio adota um viés insuportável, pois é gente demais competindo por um espaço à beira da piscina, na fila do Buffet e para pegar uma toalha.

Aí os ânimos ficam exaltados e o que era para ser uma sequência de bons momentos num lugar maravilhoso se transforma no inferno de a obrigação de conviver com quem não é apreciado, confinados todos a um espaço aparentemente belo, mas que obriga todos a se avassalarem ao que for disponível e nada além.

Resorts e hotéis e casas de veraneio, todas se constituem como verdadeiros campos de concentração de turistas, todos ansiosos para que o investimento valha a pena, todos pretendendo consumir o que é de direito, mas quando todos exigem direitos e ninguém se dispõe a cumprir o sagrado dever de facilitar a vida dos semelhantes, bem, observem com seus próprios olhos o resultado dessa combinação.

O inferno pode ser em qualquer lugar, pois não é um espaço físico, é um labirinto de convencimentos e exigências subjetivas que faz as pessoas enxergarem seus semelhantes não mais como os seres humanos que são, mas como objetos de uma tabuleiro onde o que interessa é eliminar obstáculos e adiantar casas até chegar ao Buffet, ao lugar na piscina, etc. etc.

Vale a pena observar, pelo menos isso, observar o comportamento humano sob essas condições para fazer algo, dentro de seu alcance, que facilite as coisas.

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