Abandona a revolta

Abandona a revolta

Oscar Quiroga

01 de fevereiro de 2014 | 01h45

 

À 1h45 de sábado 1-2-14 a Lua que começou a crescer ingressou em Peixes e está em conjunção com Netuno, trígono com Júpiter, sextil com Vênus e trígono com Saturno até 14h35 de domingo 2-2-14, horário de verão de Brasília.

A partir do momento em que enxergaste em ti tuas próprias tolices não mais conseguiste tolerar essa condição e, por isso, te entristecem e revoltam coisas insignificantes: as notícias dos jornais, os comentários ignorantes, a indolência de teus próximos.

Te levantas, então, contra teus semelhantes, queres lhes abrir os olhos, mas hás de saber que esse esforço está fadado ao fracasso, não se pode abrir os olhos de quem não deseja enxergar. Ao mesmo tempo, e por um estúpido paradoxo do destino, como a lucidez te faz doer as entranhas, no auge de tuas dores de cabeça anseias retornar ao estado anterior de ignorância, quando eras feliz sem saber que o eras.

Nesta nova condição és uma esfera levitando no espaço-tempo infinito, que se expande na mesma medida em que conhece; por que terias de te revoltar contra a ignorância de teus semelhantes? Por que, sequer, terias de te congratular com a sabedoria dos doutos?

Faze cada vez melhor tudo que estiver ao teu alcance, até nos mínimos detalhes de afazeres domésticos coloca tudo de ti. Faze com que tuas obras falem por si sós de teu avanço.

De resto, deixa a ignorância onde está, porque o próprio Divino parece confiar aos ignorantes algo que é vedado às almas que deixaram de sê-lo quando enxergaram em si mesmas suas próprias tolices e deixaram de tolerá-las.

Há algo para todos, há nada para ninguém; se frases assim te revoltam, bem, isso é sinal de que não suportas tuas próprias alucinações, sabes que o mundo não é todo assim tão real quanto pretendes acreditar, mas não suportas pensar nisso.

Já a ti, que pensas e repensas e te dói nas entranhas o que pensas, te exorto a continuar em frente, pois é impossível voltar atrás.

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