A utilidade dos conflitos inúteis

A utilidade dos conflitos inúteis

Oscar Quiroga

04 de junho de 2012 | 12h02

Das 12h02 de segunda-feira 4-6-12 até 2h09 de terça-feira 5-6-12, horário de Brasília, a Lua Cheia de Sagitário está em sextil com Saturno e oposição a Mercúrio. No mesmo período, Netuno começa a retrogradar, Vênus e Marte em quadratura.

Já que os ânimos estão quentes e as discórdias vivas como se tivessem nascido agora há pouco, ainda que na prática sejam velhas, então seria propício concentrar essa energia toda em algo que pudesse trazer resultados úteis e criativos.

Afinal, o método da criatividade é sempre o conflito, pois, como se poderia criar algo sem se opor à realidade. Criar é o oposto da adequação, atitude que evita todo conflito.

Porém, nem todo conflito possui sentido verdadeiramente criativo, nossa humanidade passional se apega aos conflitos (mesmo declarando que os detesta) e se perde nesse caminho toda a energia que deveria resultar em criatividade.

Ou seja, tudo se resolve na perpetuação do conflito e não na resolução desse por meio da criatividade.

Por quê? Ora! Porque para criar as pessoas envolvidas nos conflitos teriam de abdicar de suas exigências e da tola pretensão de haver vencedores e vencidos, passando assim a encontrar a criativa novidade que, não sendo propriedade de nenhuma das partes, resolve o conflito através de algo que não existia antes desse.

Essa elevação toda a que apontam os conflitos raramente é conquistada, porque nossa humanidade passional se apega à idéia egoísta de que deve vencer e tornar vencida a parte adversária.

Assim, o conflito e a discórdia entram num terreno estéril no qual todas as pessoas perdem. Ninguém ganha, todos perdem.

O clima agora é de discórdia, caberá às partes envolvidas nesse exercício lembrarem a perspectiva de elevação que essa inclui, sacrificando a paixão de vencer pelo puro prazer de derrotar a parte adversária.

Próximo boletim será publicado às 2h09 de 5/6/12

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