A ambiguidade

A ambiguidade

Oscar Quiroga

10 de agosto de 2012 | 17h12

Às 17h12 de sexta-feira 10-8-12 a Lua que míngua ingressou em Gêmeos e está em sextil com Mercúrio, quadratura com Netuno e sextil com Urano até 9h50 de sábado 11-8-12, horário de Brasília.

A ambiguidade é filha bastarda da liberdade, querida e rejeitada ao mesmo tempo; não poderia ser diferente, afinal ela tem de ser coerente com ela mesma, pelo menos.

Você quer isso, mas você também quer aquilo, e a convivência dos dois quereres aponta à construção de mundos incompatíveis entre si.

O que fará o humano em estado ambíguo? Decidirá dar fim a um querer para privilegiar o outro?

Nada disso! Em primeiro lugar, segundo, terceiro e em todas as fases do processo ambíguo o humano sofrerá o tormento de não poder realizar tudo que anseia; sabe de antemão que isso será impossível e se atormenta com sua própria alma, apegada a todos os quereres e permanecendo em estado ambíguo.

Porém, descaracterizando a suposta ambiguidade o humano contradiz a si mesmo, pois sustenta o que o atormenta, se aferra à ambiguidade com firme convicção da impossibilidade de haver outra perspectiva além dessa. Não seria essa uma postura coerente?

Contudo, e apesar da complexa teia que sustenta a ambiguidade e de sua ascendência tão nobre, pois ela é fiha da liberdade de decidir; afinal, ainda assim não é essa uma postura que se possa aconselhar a sustentar por tempo demais.

Em momentos fugazes, com perspectiva de terminarem o mais rapidamente possível, a ambiguidade pode demonstrar com clareza lancinante os labirintos sofisticados da mente humana.

Sem embargo, aqueles que sustentam a ambiguidade como elemento essencial de suas existências tendem a enlouquecer as pessoas que estão dentro de seus círculos de influência, pois não lhes permitem definir nada que as inclua, atormentando-as com a mesma intensidade do tormento que elas mesmas experimentam o tempo inteiro.