Uma péssima notícia: o Universo continua um mistério
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Uma péssima notícia: o Universo continua um mistério

Sheila Leirner

26 Março 2017 | 20h28

Ela escrevia para o seu blog sobre “Jardins”, lindo tema de uma das exposições primaveris de Paris. O marido pediu licença para entrar no escritório e comunicou solenemente: “Acabo de ver na TV, tenho uma péssima notícia a te anunciar!” “Já sei”, disse ela. “Houve suicídio na tumultuada campanha governamental francesa…” Ele respondeu: “Nada disso! Descobri que conhecemos apenas 5% de tudo que existe no Universo! Falta 95%!”
Matisse e Gertsch

Henri Matisse (1869-1954), “Acanthes”(1953) e Franz Gertsch (1930), “Gräser I” (1995-1996), na exposição “Jardins”, no Grand Palais, em Paris. Foto © Sheila Leirner

– Que susto, pensei que era mais grave…

– Mas é muito grave! A matéria tal como a conhecemos e que constitui as estrelas, galáxias, planetas, árvores, rochas, a vida em geral, e tudo que podemos perceber em volta de nós, representa só 5 por cento do Universo conhecido.

– Jardins também?

– Também. Os 95% restantes são constituídos de 25% de matéria negra e 70% de energia negra, duas coisas inteiramente invisíveis aos nossos sistemas de detecção. O que quer dizer que o Universo continua um mistério!

– Se, do renascimento aos nossos dias, temos informação sobre seis séculos de criação em torno do jardim, o que inclui Fragonard, Monet, Cézanne, Klimt, Picasso e Matisse que o celebraram e transformaram em um mundo de liberdade e imaginação, para que precisar dos outros 95 por cento?

– Porque isso é só 5 por cento do Universo, o que significa que a realidade que vivemos não representa senão uma ínfima fracção do que se passa realmente em torno de nós. E o resto? Ninguém tem certeza absoluta do que podem representar a matéria e energia negras, mas como se trata da melhor explicação que temos até agora…

– Pra mim já está bom assim. Agora, dá para você me deixar continuar a escrever?

Na Terra, pelo menos, há jardins suficientes para ficarmos encantados…

– Só mais uma coisa: supondo que a matéria negra e a energia negra existam de verdade, o que sabemos sobre elas? Como os cientistas tentam explicar, os primeiros sinais reais de sua existência foram detectados quando eles tentaram compreender como o Universo foi formado. Logo ficou evidente que a matéria “normal” não podia ser a única coisa existente porque, simplesmente, ela não era suficiente.

– Na Terra, pelo menos, há jardins suficientes para ficarmos encantados… São o “paraíso”, enquanto que essas suas “coisas negras” são o “nada”, e o “nada” está mais próximo do inferno do que de outra coisa.

– Sim, mas – ao contrário dos jardins e de toda a sua simbologia – no Universo não há força gravitacional suficiente para forçar a matéria a formar a multidão de estruturas complexas conhecidas. Não há poesia. Em vez disso, todas as estrelas que se formaram a partir da “matéria normal” devem coexistir ao lado de tudo que preenche o vazio em torno delas, algo que não absorve ou não reflete a luz. É o que explicaria a razão pela qual não podemos observá-las.

– Mas isso é horrível! Você está querendo me assustar?

– De jeito nenhum! Felizmente para nós, toda essa “escuridão” desvia os raios luminosos e possui interações gravitacionais com aquilo que está em volta, o que significa que não podemos detectar a sua presença onde ela está concentrada em grande quantidade. Acho que é por isso que, até hoje, os cientistas usaram todos os conhecimentos, não para definir o que são a energia e a matéria negras, mas principalmente para explicar o que elas não são.

– OK. Então, se existem fenômenos misteriosos e complexos em enorme quantidade no Universo – interagindo no nível da gravidade – por favor me dê um link pra eles. Eu gostaria de compartilhar no Facebook!

 

 

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