Saudade do polvo
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Saudade do polvo

Sheila Leirner

03 Julho 2018 | 13h28

Subitamente fiquei com saudade de Paul, o polvo! O chamado “Oráculo de Oberhausen” (2008 – 2010) vivia no aquário de Oberhausen na Alemanha e, das 14 previsões que fez para a Copa do Mundo 2010, o Nostradamus aquático acertou 12 e ficou para a posteridade! Daquela Copa sobraram muitas lembranças. Ficaram também os maus momentos…

Polvo gigante de Huang Yong Ping, na 7a edição (2016) da “Monumenta”, no Grand Palais em Paris.

Paul era francês, foi criado em Sète, e parece que ele tinha uma maneira tão singular de olhar os visitantes que o responsável pelo aquário resolveu desenvolver os seus talentos e lhe dar o nome, a partir do poema “Der Tintenfisch Paul Oktopus” de Boy Lornsen, escritor para crianças.

Foi um cefalópode com quase 60 mil amigos no Facebook, figura na Wikipédia em 28 línguas e teve imitadores como Pauline, a “polva” holandesa, Mani o periquito de Singapura e Pino o chimpanzé da Estônia. Mesmo hoje, Aquiles o gato surdo que mora no Museu Hermitage em São Petersburgo, não está com nada. Ninguém chegou aos seus pés, quero dizer, seus 8 braços com ventosas. Saudade dele…

Daquela Copa sobraram muitas lembranças. Algumas, realmente deliciosas. Grandes jogadores, grandes jogadas, grandes momentos! E muitas revelações: Espanha (com Iniesta), Uruguai (com o gênio Forlan), Alemanha (com uma equipe de “intelectuais”), a incrível organização na África do Sul – Mandela no final – e “last but not least”… Paul, o polvo!

Hoje continuamos exultando com certas derrotas e algumas vinganças

Ficaram também os maus momentos: o fiasco dos “bleus”, a frustração com a Seleção e aquele técnico Dunga parecendo um tanto grosso e psicorígido… além da horrível bola Jabulani e, o pior de tudo, a VUVUZELA de furar os tímpanos!

Ah sim, entre os maus momentos é difícil esquecer os “hooligans” cor de laranja que nos eliminaram e foram passados para trás na final, felizmente! Mas que jogo feio daqueles holandeses! E quantos árbitros e bandeirinhas incompetentes, talvez até mesmo alguns biltres. No presente continuamos exultando com certas derrotas e algumas vinganças, enquanto esperamos para ver quais serão as fortes reminiscências.

Até a próxima, que agora é hoje, não se pode dizer que Copas do Mundo são experiências comuns… e se Paul deixou descendentes?