Quem fez (ou faz) galopar o Frankenstein tupiniquim?
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Quem fez (ou faz) galopar o Frankenstein tupiniquim?

Sheila Leirner

04 Maio 2017 | 06h38

Discute-se muito neste momento que o socialista François Mitterrand (1916-1996), presidente da França de 1981 a 1995, foi quem armou a estratégia deliberada de fortalecer a extrema-direita para desestabilizar a direita parlamentar. O galope da extrema-direita no Brasil seria igualmente fruto de “estratégia”?

 

Eleições 2017: Marine Le Pen e Emmanuel Macron no debate de ontem, 3 de maio, antes do segundo turno. Crédito: Eric FEFERBERG / POOL / AFP

 

Não que o socialista Mitterrand admitisse ter feito isso por “maquiavelismo”, mas porque acreditava que o Front National não alcançaria nunca nenhuma importância. Erro dele, de qualquer maneira. O fato é que hoje na França, graças a isto e a outros fatores, a direita explodiu (ou implodiu), mas o socialismo também. Estão fora do páreo, pelo menos até as eleições legislativas. A direita e os socialistas são os pais desse Frankenstein galopante da extrema-direita (primo da extrema-esquerda) que é fruto e parasita do sistema político francês. E que concorre mais uma vez, porém de forma jamais vista, à presidência da França.

Até a próxima, que agora é hoje e já que é também por aproximações e paralelos que conhecemos melhor a nossa própria história, da qual a arte e a cultura também dependem, pergunto: quem é responsável pelo galope do Moderno Prometeu tupiniquim, com ou sem partido, nos últimos 6 anos?

 

Frankenstein tupiniquim

 

Nota – Aos interessados francófonos que queiram aprofundar os seus conhecimentos sobre a crise da Quinta República Francesa e a reconstrução da paisagem política na França, a última emissão do programa “Répliques” do filósofo Alain Finkielkraut, com a participação do economista Jean-Claude Casanova (que fundou a revista “Commentaire” com Raymond Aron), e o filósofo e professor de ciência política Philippe Raynaud.

Nota 2 – Aos que apreciam “gavetinhas” e pensam que este blog está na “categoria errada”, aviso que arte e CULTURA são parte indissolúvel da história e portanto da política. Aliás, o programa (político) “Répliques” do filósofo Alain Finkielkraut, cujo link publico acima, também pertence à categoria CULTURA, e se ouve na RÁDIO FRANCE CULTURE.

 

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