“Lugares eternos”: a memória contra um crime
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“Lugares eternos”: a memória contra um crime

Sheila Leirner

17 Dezembro 2016 | 18h28

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O mítico oásis de Palmira, na Síria – Foto: Iconem, DGAM

Na Síria, Alepo agoniza e, há alguns dias, Palmira foi retomada pelo Estado Islâmico. Enquanto se trava uma guerra abominável, abriu nesta quarta-feira, dia 14, no Grand Palais em Paris (até 9 de janeiro), a exposição “Lugares eternos, de Bamiyan à Palmira”, que – em colaboração com o Museu do Louvre e a UNESCO – ressuscita virtualmente quatro tesouros artísticos destruídos ou saqueados pelos islamistas.

São emocionantes imagens “imersivas” (como se costuma dizer agora), em 360°, apresentadas sob fundo musical, que provocam igualmente uma enorme angústia. Mostra-se os quatro monumentos em diferentes momentos da história, até a sua devastação. Antes, há também vídeos que documentam a destruição, com explosivos, dos dois grande budas de Bamiyan no Afeganistão, pelos talibãs em 2001, aos gritos de “Allahu akbar!” (“Alá é grande!”) – os mesmos com que os terroristas massacram inocentes pelo mundo.

A visita é um soco no estômago!

Vêm à cabeça as imagens de milhares de mortos neste momento na Síria, assim como os castelos que datam das cruzadas, a antiga capital de Chorsabad cidade-fortaleza da Assíria, no norte do Iraque (721-705 avant J.-C.); o mítico oásis de Palmira, o Krak (as fortificações) dos Cavaleiros, a mesquita dos Omíadas de Damasco… A visita é um soco no estômago!

Ainda bem. O objetivo é sensibilizar o público com relação à história e à beleza de um patrimônio até agora em perigo, e lutar contra a indiferença. E consegue. A mensagem é clara: a destruição deste legado não é um “prejuízo colateral”, como pensam alguns. Para a barbaria fundamentalista trata-se de um objetivo em si.

Também é possível ver nesta exposição, o quanto as reconstruções em 3D, feitas por meio de aviões não tripulados e novas tecnologias, são importantes para os arqueólogos e as gerações futuras. Quem sabe, um dia, serão reconstruídos?

Nada que foi criado pelo homem vale uma vida humana. Contudo, não é por isso que a violação de monumentos de arte e história não seja um crime em alto grau. Estes atos não constituem apenas “infrações”, como certos vandalismos. São sobretudo ataques à integridade ética e moral de toda a humanidade.