Grafites de Brassaï: a expressão do inconsciente da metrópole
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Grafites de Brassaï: a expressão do inconsciente da metrópole

Sheila Leirner

31 Janeiro 2017 | 20h28

Jung, o psiquiatra suíço, certamente diria que é sincronicidade ou “coincidência significativa”. Digamos apenas que o assunto vem a calhar. Os Grafites de Brassaï é o nome da linda exposição que terminou hoje, aniversário dos 40 anos do Centro Pompidou em cuja “galeria de fotografias” do subsolo ela se encontrava. Entre arte e escrita, os traços deixados sobre os muros e registrados pelo fotógrafo, desenhista, pintor, escultor e escritor húngaro Gyula Halász (1899-1984), cujo pseudônimo foi Brassaï, evocam as tensões de uma época. E não apenas isto. Como escrevi na semana passada sobre a pichação do professor Bardi, são as imagens – e não as palavras – que remetem sempre à ideia fundamental. “Com a linguagem do muro, temos que lidar não apenas com um importante fato social, ainda jamais estudado, mas também com uma das mais potentes e autênticas expressões da arte” dizia o artista em 1958 – ele que durante 25 anos dedicou-se apaixonadamente a flanar à noite pelas ruas de Paris.

Foi em 1933 que a revista surrealista Minotauro editou, pela primeira vez estas imagens de grafites, reunidas em livro pelo artista, quase três décadas mais tarde.

Grafite visto por Brassai

Até a próxima, que agora é hoje e destruir um grafite é o mesmo que negar a universalidade do desejo e, como dizia Brassaï, “a mais antiga maneira de o homem descobrir o mundo”!