Educação, cultura, humanismo em perigo
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Educação, cultura, humanismo em perigo

Sheila Leirner

15 de maio de 2019 | 11h58

Por que ninguém reclamou do corte de 1 bilhão de reais na Educação em 2015 e nesta quarta-feira, 15, há paralisação em pelo menos 75 das 102 universidades e institutos federais do País, os manifestantes estão nas ruas e o ministro Abraham Weintraub foi convocado para dar explicações sobre suas decisões orçamentárias no plenário da Câmara?

O teólogo e humanista Erasmo de Roterdão (1466-1536), na pintura de Hans Holbein, o Jovem.

Porque não é o mesmo corte. Ou melhor, o de 2015 não teve o mesmo caráter. Não foi ideológico. Não foi um ato de ressentimento com relação a governos passados. Não representou uma ação rancorosa de negação dos valores humanos.

O corte de hoje está dentro da “lógica Bannon”. A lógica da desconstrução: a mesma que Trump usou e continua a usar para demolir o que fez Obama.

O Brasil está tomando a feição de uma democracia iliberal em todos os campos. Favorecendo o “ultra liberalismo” que, com a mundialização, tornou-se o inimigo número um da democracia, o novo regime arruinará a educação e a cultura. Não é à toa que a data está sendo chamada de “dia do basta” por estudantes, professores e servidores da educação. Mas é o “dia do basta” também para os demais.

Forma de negacionismo

Um sistema educacional deve constituir um equilíbrio perfeito entre ciências exatas e humanas. Sem as humanas para temperar os exageros (e às vezes a megalomania) das ciências duras e/ou puras que são abstratas, este sistema afastará o homem da sua essência.

No governo presente, o corte no orçamento da Educação tem um significado diferente. É uma forma de negacionismo. Trata-se de censura aos valores humanistas; o mesmo que negar as qualidades que fundam a especificidade do homem enquanto espécie. Diferente da animal.

Até a próxima que agora é hoje e, se ninguém reclamou do corte de 1 bilhão de reais em 2015, esperemos que, desta vez, os protestos sejam estrondosos!

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