Boudin: a maior mostra da estação, na França
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Boudin: a maior mostra da estação, na França

Sheila Leirner

28 Julho 2016 | 12h28

Para ir ao Havre, a 200 km de Paris, é preciso um bom motivo. Visitar as cidades vizinhas, na Normandia, por exemplo. Desta vez, entretanto, encontrei várias razões, sendo que a principal delas é a maior exposição deste verão, na França: Eugène Boudin, o Ateliê da Luz, no Museu de Arte Moderna André Malraux (até 26 de setembro).

 

A mostra é grandiosa! Trata-se da primeira retrospectiva do artista depois de 1906, oito anos após a sua morte. Inteiramente consagrada ao pai do impressionismo, reúne 200 obras para propor uma nova leitura do percurso deste mestre que colocou a “busca da luz” no centro de todo o seu trabalho.

 

“Como tenho sede de luz!”

Se alguns temas atravessaram a carreira de Boudin, eles não eram mais do que pretextos para o seu estudo obsessivo da luz. Em seu laboratório luminar, desde os primeiros esboços realizados à beira do Sena no começo dos anos 1850, até as últimas pinturas na Bretanha e na Normandia em 1897, passando pelas cenas de praia mundanas do Segundo Império, Boudin queria dominar as rápidas e sutis metamorfoses de sua linguagem. Fosse em Roterdã, Veneza, Bordeaux, no litoral da Mancha, ou nos interiores bretões cuja luminosidade e sombra fazem lembrar Rembrandt, ele sempre captava uma luz cada vez diferente. Nenhum quadro, desenho ou aquarela é igual a outro.

 

Uma extraordinária seção dedicada às célebres cenas de praia e outra às obras de Salão, levam o visitante a explorar ângulos menos conhecidos da arte de Eugène Boudin. Também adivinhamos a sua personalidade e vida por trás de obras mais pessoais, esboços de uma inacreditável modernidade, procurando captar o fugitivo e o efêmero, como nos estudos de céus.

 

“A Praia em Trouville”, 1865

Claude Monet não raro homenageava Eugène Boudin, lembrando-se que este, 16 anos mais velho do que ele, o havia iniciado na pintura temática da natureza, em 1858, no Havre e cercanias. Os estudos de céu nas fotos acima são surpreendentes telas “abstratas” realizadas em 1888! Não foi por acaso que Baudelaire, quando visitou o ateliê de Boudin, já considerado como um dos precursores do impressionismo, ficou nas nuvens.

 

Até amanhã que agora é hoje, e eis o pequeno vídeo de uma videoamadora, e amadora de vacas, sobre o espaço dedicado aos estudos deste grande mestre que as amava!

 

Nota: A música de Erik Satie (1866-1925) no vídeo não é fortuita. O compositor nasceu em Honfleur, pintada por Boudin e foi casado com a também pintora Suzanne Valadon.