Adeus Sérvulo Esmeraldo, artista das decisões objetivas e intuitivas
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Adeus Sérvulo Esmeraldo, artista das decisões objetivas e intuitivas

Sheila Leirner

02 de fevereiro de 2017 | 17h18

A obra de Sérvulo Esmeraldo, artista plástico cearense que morreu ontem, quarta-feira, tem aquela qualidade rara que se encontra sobretudo nos grandes mestres: coerência interna. Para ele, apesar de abstrata, a arte era uma odisseia particular. Não lhe bastava a aparência das imagens estéticas reconhecíveis como de “vanguarda”. Jamais desenvolveu formas gratuitas. Seu trabalho possui a lógica e a poética de um artista manual que não afasta o acaso, a surpresa e a especulação lúdica. Ele procurava sempre o próprio caminho e identidade.

Sérvulo Esmeraldo
Faltava menos de um mês para este artista de renome nacional e internacional completar 88 anos (27 de fevereiro), quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) no último fim de semana, em Fortaleza. Suas obras estão na exposição A Linha, A Luz, O Crato, com curadoria de Dodora Guimarães, sua companheira há quase quatro décadas.

O fato de esta ser a sua última exposição é simbólico. Sérvulo, que só gostava de expor fora do eixo Rio-São Paulo, estava feliz em levar a sua obra à cidade natal, o Crato, onde na década de 1950 havia fundado o Museu de Gravura.

Ouvi falar de Sérvulo, pela primeira vez, quando ele morava em Paris nos anos 1960/1970 e criava quadros e objetos movidos pela eletricidade estática, dentro do movimento cinético, ao lado de Julio Le Parc e Jesús Rafael Soto.

Mas só o encontrei mais tarde, quando ele e Dodora vieram visitar a 18a Bienal de São Paulo, em 1985, um ano antes da 1ª Exposição de Escultura Efêmera de Fortaleza que ele organizaria. Vi-os novamente seis anos depois quando eu estava em Fortaleza a trabalho, e ela – sempre entusiasta e encantadora – quis que eu conhecesse as peças recentes e esculturas públicas como o famoso Monumento ao Saneamento da Cidade de Fortaleza, na avenida Beira-Mar.

Foi inesquecível. A obra de Sérvulo tem aquela qualidade rara que se encontra apenas nos grandes artistas: coerência interna. Para ele, apesar de abstrata, a arte era uma odisseia particular. Não lhe bastava a aparência das imagens estéticas reconhecíveis como de “vanguarda”. Jamais desenvolveu formas gratuitas. Seu trabalho possui a lógica e a poética de um artista manual que não afasta o acaso, a surpresa e a especulação lúdica. Ele procurava sempre o próprio caminho e identidade.

Até a proxima que agora é hoje e adeus Sérvulo Esmeraldo, artista das decisões objetivas e intuitivas, da linguagem construtiva mas hedonisticamente liberta, das formas que continuam vivas em nosso presente!

 

 

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