Charlie Sheen exercita o lado bonzinho em Anger Management

Estadão

01 de julho de 2012 | 22h54

Charlie Sheen

Foto: Reprodução

Após meses de brigas públicas, críticas ao antigo show e especulações sobre o novo projeto, Charlie Sheen finalmente estreou na última quinta-feira, nos EUA, a sua série Anger Management. Apesar de manter o mesmo nome – Charlie Harper agora virou Charlie Goodson – o personagem central é bem diferente do engraçado e fanfarrão compositor de jingles de Two and a Half Men. As famosas bermudas e camisas de manga curta bicolores deram lugar a um figurino mais sóbrio. Afinal de contas, Charlie Goodson é um pai divorciado que tenta constantemente ser uma boa pessoa, deixando para trás seu passado de ataques de raiva. Ao contrário de Charlie Harper, um cara egoísta que aproveita ao máximo o presente – bem, da sua maneira – além de não dar a mínima para aqueles que condenam seu estilo de vida, Charlie Goodson é um homem generoso e muito preocupado com as consequências que suas ações podem causar.

A comédia é melhor do que Two and a Half Men? Não. Ainda falta muito para o elenco de Anger Management se entrosar e conseguir a mesma química conquistada pelos atores do antigo show de Charlie Sheen. Enquanto Two and a Half Men surgiu como uma série descompromissada, sem grandes ambições e que cresceu exatamente por esse ambiente leve e engraçado criado por Chuck Lorre e cia., Anger Management nasceu com a difícil tarefa de provar que Charlie Sheen pode sobreviver fora de Two and a Half. Os diálogos rápidos e as tiradas espertinhas forçadas são prova disso. Mas não podemos ser injustos com Anger Management. É outro show, com outra proposta, mas a estrela principal é Charlie Sheen, com um personagem completamente diferente de Two and a Half Men. Pode melhorar? Claro que pode. Mas será um grande desafio para os seus produtores.

O maior obstáculo para o ator será desvencilhar-se do antigo personagem. Enquanto Charlie Harper de certa forma representava o que gostaríamos de ser, Charlie Goodson pode ser considerado um exemplo do que devemos ser. E isso é muito chato. Nos identificávamos com Charlie Harper – ok, aliviando a parte do egocentrismo, orgias alcoólicas e as centenas de mulheres enganadas – exatamente porque ele vivia do jeito que queria, gastando o seu dinheiro da forma que queria, sem dar satisfações. Charlie Harper não dava a mínima para a opinião alheia. Já Charlie Goodson é um homem consciente de suas falhas, sempre preocupado em não magoar os outros, cujo “único pecado” é dormir com a sua terapeuta. Mantém uma relação de respeito e cordialidade com a ex-esposa, até mesmo quando ela joga na cara que se não fosse pelos ataques de raiva do ex-marido (que por conta disso destruiu sua carreira como jogador de baseball) ela estaria vivendo em uma casa maior. Ah, e a sensível mulher admite namorar um cara porque ele tem dois carros Ferrari.

Apesar dos pontos problemáticos, a comédia se saiu muitíssimo bem em sua estreia: quase 5.5 milhões de espectadores acompanharam o episódio duplo da nova série da FX americana. Um tremendo sucesso para a emissora a cabo, já que esta foi a mais alta audiência conquistada por uma produção do canal em uma première. Mas o fato é que não podemos nos esquecer que parte do sucesso do primeiro episódio se deve à curiosidade do público e dos fãs em rever Charlie Sheen na TV, depois de tanto se falar em sua nova série. Resta saber se o show conseguirá se manter.

Anger Management tem por enquanto 10 episódios encomendados. No Brasil, a série deve chegar no meio do segundo semestre, mas ainda não há data definida.

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