‘Ser artista no Brasil demanda um coração valente’, diz Luis Lobianco

‘Ser artista no Brasil demanda um coração valente’, diz Luis Lobianco

Ator e humorista estreia nesta segunda, 10, a segunda temporada de 'Férias em Família', no Multishow, que tem ainda no elenco Cristina Pereira, Luciana Paes, Clara Tiezzi e Sulivã Bispo

Eliana Silva de Souza

10 de fevereiro de 2020 | 17h58

Cena da segunda temporada de 'Férias em Família' (foto Multishow)

Cena da segunda temporada de ‘Férias em Família’ (foto Multishow)

Estreia nesta segunda, 10, no Multishow, a segunda temporada de Férias em Família. Depois de muitas aventuras de Portugal, Luis Lobianco, Cristina Pereira, Luciana Paes, Clara Tiezzi e Sulivã Bispo chegam à Espanha em novas histórias e muita confusão pela frente. Com direção é de Pablo Uranga, seriado terá dez episódios, com a trupe passeando por locais como a Plaza de España, em Madrid, a Sagrada Família e a praia Barcelonetta, em Barcelona, o Royal Alcazar de Sevilha e a Cidade Histórica de Arcos de La Frontera.

À coluna, o ator Luis Lobianco fala sobre essa nova fase da sitcom, confira a seguir.

Como será essa temporada, quais serão as novidades?

Nessa temporada os personagens vão para a Espanha, e lá é bem diferente de Portugal, embora seja perto, e também diferente do Brasil. Na primeira temporada, exploramos muito a nossa proximidade com Portugal, a língua em comum e tudo que nos une. Já a Espanha tem outro temperamento, os espanhóis são muito diferentes de nós, e brincamos com esse ruído – língua, clima e comida diferentes -, para, no final das contas, falar que somos todos iguais, mesmo nessas diferenças. É impressionante como a região da Andaluzia, por exemplo, onde gravamos a primeira parte do programa, é muito parecida com o Nordeste. Às vezes, você acha que está no Recife, na Bahia, até pelo clima. Então, a família está nessa situação agora.

É uma diversão também atrás das câmeras?

É muita diversão sempre, e eu acho que tem que ser assim. Nós temos que nos divertir trabalhando, porque isso altera diretamente o resultado do que apresentamos. Dessa forma, quando escalamos a equipe, nós levamos em consideração não só talento, mas também o temperamento. Isso, para que o clima seja muito legal, principalmente nesse contexto de viagem: foram três meses gravando fora de casa, em situações que, muitas vezes, são difíceis. Você está gravando no meio da estrada, em uma locação no meio do mato, sem estrutura. Temos que ser resilientes, pacientes e entender que isso tudo faz parte, que ajuda e que é para o bem maior, que o resultado na tela vai ficar muito bonito. Nesse sentido, temos que ter essa sabedoria, e levar tudo no humor, sempre.

Como foi gravar na Espanha, deu vontade de ficar por lá?

Eu amo a Espanha, já tinha ido para Santiago e Barcelona, mas dessa vez fiquei muito mais tempo no país. Durante as gravações, a gente ancorava em cidades como Sevilha, Madri, Barcelona, e conseguíamos conhecer bastante os locais pelo tempo que permanecíamos ali. Espanha é um país maravilhoso, com praias lindas. No episódio que gravamos na praia eu pude aproveitar muito, não saía da água até o momento de gravar. É também multicultural: Andaluzia é muito diferente de Madri, que é uma cidade enorme com um ritmo acelerado, e que, por sua vez, é distinta de Barcelona, que fica próxima da fronteira da França. Tínhamos muita coisa para ver, e, mesmo passando por tantos lugares, não vimos tudo. Há uma parte da Espanha que eu não visitei, pretendo voltar para lá com certeza.

Há uma realidade mais séria por trás do humor da série ou a intenção é mesmo divertir?

Eu não diria uma realidade mais séria, mas não acho que é só piada. A intenção da série é mostrar essa empatia de uma família em viagem, evidenciar a cumplicidade nos momentos mais legais, em paisagens lindas, comendo bem e se divertindo, mas também quando as diferenças e os problemas se tornam mais aparentes. Idealizei esse programa no período pré-eleição, quando eu observava que as pessoas estavam rompendo com seus familiares, com pessoas próximas, por diferenças ideológicas. Isso, sobretudo no campo virtual, com pessoas saindo de grupos de família. Esse momento me lembrou muito minha infância, minhas viagens de família, nós na casa de praia ou uma viagem longa de carro, que são memórias maravilhosas que eu tenho e não abro mão. Nesse convívio familiar, as diferenças apareciam, mas nós resolvíamos olhando nos olhos um do outro, e todos se respeitavam. A família do Cafu me remete à minha família, como quando a gente entrava no carro e dirigia até o norte de Tocantins, onde meu avô tinha uma fazenda. Eu lembro dessa estrada, dessa rotina de viagem, e isso formou muito meu caráter. Eu fiquei saudosista disso quando observei esses rompimentos naquele contexto político, e queria expressar tudo isso em uma série. Eu defino isso como um humor afetivo, um humor de empatia e cumplicidade, e isso que conquista o público.

Algum momento mais marcante nessa temporada?

Há um episódio específico que a tia quer ver neve, mas eles se atrapalham com o GPS e acabam indo para um lugar completamente árido. A família chega em uma cidade pequena, muito quente, e no horário da sesta, que é muito comum no interior da Espanha, quando tudo fecha depois do almoço, ninguém trabalha. Lá, tudo dá errado, mas tem um diálogo no final que é super bonito, no qual a tia fala que na vida às vezes não dá para realizar todos os sonhos, mas que você, sem querer, acaba realizando coisas que nem ao menos sonhou, mas que são importantes e fazem diferença na alma. É um final poético, não vou entregar mais, mas digo que ele define um pouco do que é o programa. Férias em Família vai além do riso pelo riso, estamos discutindo a importância de cuidar das relações. O Cafu é muito apaixonado por essas mulheres que cercam ele e definido pelo que elas são, então esse episódio mostra isso de uma forma emocionante, vale ficar atento.

Tanto tempo gravando juntos, já são uma ‘família’ de verdade?

Viramos uma família de verdade, porque é muito tempo de convivência, não só no set, com as 12 horas de trabalho, mas também após o expediente, quando vão todos para o mesmo hotel, jantam no mesmo restaurante. É bonito aprender a lidar com essas diferenças no trabalho, saber o quanto você tem que observar o outro e dar o tempo do outro, visto que cada um tem seu tempo de acordar, seu funcionamento. Nós tínhamos um ônibus da produção, passamos por muitas cidades com esse transporte. Era muito divertido, um sonho estar na estrada, naquela paisagem, com aquela equipe e elenco. Nos tornamos uma família, um cuidava do outro, saíamos para nos divertir. Vou lembrar para sempre disso, foi uma experiência transformadora para o personagem e para mim: eu voltei mais maduro dessa viagem, encarando a profissão de outra forma.

Cafu tem algo seu na personalidade, emprestou detalhes seus para ele?

Eu sou diferente de Cafu porque sou um pouco destemido. Ser artista no Brasil demanda um coração valente e um espírito de aventureiro. Cafu é um homem pacato, não gosta de mudanças em sua rotina, e, nesse aspecto, sou totalmente avesso. Minha vida muda a cada momento, cada ciclo de trabalho é diferente. Mas, ao mesmo tempo, sou muito tranquilo, busco sempre uma serenidade para equilibrar minha profissão agitada com minha vida pessoal. Eu não abro mão dos momentos em que posso ficar em casa com meus amigos e minha família, sou apaixonado por eles e identifico muito das mulheres que sempre me cercaram em casa na minha personalidade. Nesse aspecto, eu e Cafu nos encontramos.

Teremos uma terceira temporada?

Quero muito uma próxima temporada, seria uma alegria imensa reencontrar esse elenco de pessoas queridas, que amo para sempre. Fazer Férias em Família é o pretexto mais prazeroso para conhecer o mundo e lugares que eu ainda não conheço. Eu gostaria de gravar a série no Japão, em Nova York, na Nova Zelândia.

Tem outros projetos vindo por aí?

No momento, estou gravando Fora de Hora, na Rede Globo, um humorístico que vai ao ar sempre depois do Big Brother Brasil, às terças. Estou também ensaiando uma peça, chamada Método Gronholm, a convite do Lázaro Ramos. É um espetáculo que ele fez há 12 anos como ator e agora está dirigindo. Ele me convidou para interpretar o personagem que ele fazia. A atração tem previsão de estreia no Rio de Janeiro para o início de março. Estamos trabalhando intensamente e muito felizes em fazer esse espetáculo lindo, é um privilégio poder fazer teatro nessa época e com essas pessoas. Esse ano vou lançar ainda os filmes Carlinhos e Carlão e Dez Horas para o Natal. Também estarei na nova temporada de Vai que Cola, no Multishow.

 

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