Em homenagem aos 130 de nascimento de Charles Chaplin, Telecine exibe seus clássicos

Em homenagem aos 130 de nascimento de Charles Chaplin, Telecine exibe seus clássicos

Carlitos, criado em 1914, se mantém símbolo de resistência

Estadão

16 de abril de 2019 | 09h04

Luiz Carlos Merten

Completam-se nesta terça-feira, 16, 130 anos do nascimento de Charles Spencer Chaplin, em Londres. Nascido numa família de artistas, emigrou para os EUA e, somente como Charles Chaplin, virou um dos artistas mais conhecidos – e amados – do século 20. Criou um personagem emblemático, Carlitos. A data não vai passar em branco. A Rede Telecine, no seu canal de cults, anuncia uma extensa programação – começa com O Garoto, às 13h25, e prossegue durante toda a parte da noite com Em Busca do Ouro, O Circo, Um Dia Bem Passado, Luzes da Cidade, Idílio Campestre, Tempos Modernos, Dia de Pagamento, para encerrar-se, à 0h40, com Luzes da Ribalta.

Carlitos, criado em 1914, se mantém símbolo de resistência (foto Telecine)

Carlitos, criado em 1914, se mantém símbolo de resistência (foto Telecine)

Há que se perguntar se Chaplin, que morreu no Natal de 1977, continua vivo no imaginário coletivo como quando criou Carlitos, em 1914. Talvez. Pois o gosto do público mudou muito e, em 2002, quando uma nova distribuidoras lançou, no Natal, a versão digitalizada de O Grande Ditador, os críticos deliraram. Destacando a importância da obra, mas as vendas ficaram além do esperado. Chaplin criou Carlitos integrado à estética do cinema mudo, quando os filmes eram projetados em 16 quadros por segundo. Mais tarde, com o advento do som, a necessidade de adequação com a imagem fez com que os filmes passassem a 24 quadros por segundo, e aí houve uma mudança na estética chapliniana.

Nos filmes mudos, o movimento era acelerado e Chaplin criou seu vagabundo – com bengalas, chapéu-coco e sapatos imensos furados – como um malabarista diante da vida. Quando os movimentos de Carlitos ficaram naturalistas, quem perdeu o rumo foi ele. Chaplin, o cineasta, resistiu ao som. Fez, no sonoro, filmes mudos com música (Luzes da Cidade), com diálogos nonsense (Tempos Modernos).

Quando incorporou a palavra foi para criar o discurso final do barbeiro judeu que, em O Grande Ditador, fez-se passar pelo ditador inspirado em Hitler. Um discurso humanista. Nunca mais guerra, respeito por todos, trabalho para todos. Liberdade, igualdade, fraternidade. Chaplin foi considerado comunista e, mais tarde, em pleno macarthismo, nos anos 1950, exilou-se.

Foi viver na Suíça

Voltou a Hollywood somente em 1972, quando recebeu o Oscar pela trilha de Luzes da Ribalta, que estreara somente naquele ano. Pode ser que para uma nova geração formada no videogame, o cinema de Chaplin pareça ultrapassado. Não é. Carlitos segue sendo um símbolo de resistência. Ainda se pode rir muito com ele, e pensar. E Chaplin, o artista, fez avançar a linguagem do cinema com seus experimentos.

Os filmes do ciclo Chaplin, um a um

O Garoto, 1921
Carlitos adota garoto que encontrou no lixo. Cinco anos mais tarde, a mãe reaparece para reclamar a cria. Humor e melodrama.
Em Busca do Ouro, 1925
Carlitos procura ouro no Alasca. Cenas antológicas – a dança dos pãezinhos e a outra em que ele, morto de fome, come os cadarços do sapato como se fossem espaguete.
O Circo, 1928
O menor espetáculo da Terra. Carlitos ama a trapezistas, mas o coração dela pertence a outro.
Um Dia bem Passado, 1919
Pai de família parte num passeio com a família, num carro aos pedaços. Dá tudo errado, mas, com união, as coisas melhora,.
Luzes da Cidade, 1931
Carlitos paga cirurgia de recuperação de cega. Ela pensa que ele é milionário. Decepciona-se ao recobrar a visão e descobrir que é um vagabundo.
Idílio Campestre, 1919
Carlitos trabalha num hotel. Apaixona-se por garota, mas tem um rapaz da cidade na parada. Com quem ela fica?
Tempos Modernos, 1936
Carlitos, na fábrica, é engolido pela máquina. Já naquela época a automação já criava desemprego. Chaplin, que resistia ao som, usa a música e um diálogo que não faz o menor sentido.
Dia de Pagamento, 1922
Carlitos trabalha na construção civil e tenta esconder o salário da mulher dominadora.
Luzes da Ribalta, 1952
Carlitos vira Calvero, um artista decadente de vaudeville que toma sob sua proteção bailarina que sofreu um acidente. Ela volta a dançar, mas se apaixona por outro.

 

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