Débora Falabella lembra trabalho em ‘Avenida Brasil’, novela que novamente cativou o público

Débora Falabella lembra trabalho em ‘Avenida Brasil’, novela que novamente cativou o público

Obra de João Emanuel Carneiro chega ao último capítulo nesta sexta, 1ª, registrando a melhor performance do 'Vale a Pena Ver de Novo' em dez anos

Eliana Silva de Souza

01 de maio de 2020 | 10h24

O momento de quarentena, com todos em casa, pode ter dado uma mãozinha, mas o que ficou claro é que a novela Avenida Brasil é um fenômeno, conseguindo bater recordes de audiência no horário da tarde. Escrito por João Emanuel Carneiro, folhetim chega ao último capítulo nesta sexta, 1ª, registrando a melhor performance do Vale a Pena Ver de Novo em dez anos.

Débora Falabella, em 'Avenida Brasil' (foto Globo)

Débora Falabella, em ‘Avenida Brasil’ (foto Globo)

Para o autor, Avenida Brasil foi uma novela que mudou a sua carreira e a sua vida também. “Parou o Brasil”. Apesar disso, ele considera A Favorita como seu projeto mais ousado e desafiador. Revendo sua cria, diz que tem coisas que foi esquecendo com o tempo e que se surpreendeu como um telespectador. E revela que “secretamente torcia” para Carminha (Adriana Esteves).

Nessa luta entre o bem e o mal, tão forte na novela Avenida Brasil conquistou o grande público, em uma torcida pela mocinha, que nem sempre foi assim, a mocinha da trama e interpretada por Débora Falabella. Para a atriz, Nina foi uma personagem importante, completa e difícil, um desafio. “Eu lembro que a cada semana que eu recebia os capítulos, a história da Nina mudava um pouco, ela apresentava traços de personalidades diferentes e ao mesmo tempo também muito convicta do que ela queria realizar.”

Abaixo, a íntegra da entrevista com Débora Falabella

O que representou a Nina pra você, pra sua carreira?

Avenida Brasil foi uma novela de muito sucesso, quando isso acontece, as personagens também ficam muito reconhecidas do público. E para mim, ser reconhecida por uma personagem de uma forma tão forte é talvez o sentido da carreira que eu trilho. Eu quero realmente ser conhecida pelas personagens que eu interpreto. E quando isso acontece numa novela que atinge milhares de pessoas, é maravilhoso. As pessoas sentem empatia e reconhecimento através daquela personagem, isso me atinge de forma muito positiva. Claro que para minha carreira também foi importante. A Nina não era fácil de interpretar, tinha muitas nuances. Eu lembro que a cada semana que eu recebia os capítulos, a história da Nina mudava um pouco, ela apresentava traços de personalidades diferentes e ao mesmo tempo também muito convicta do que ela queria realizar. Uma protagonista de novela muito diferente do que eu já tinha feito, então para mim é uma personagem muito completa.

Qual cena mais te marcou?

Eu acho difícil escolher só uma porque em Avenida Brasil tiveram muitas cenas marcantes desde o início. Mas a cena que eu fiz, que eu pude estar presente, eu acredito que tenham sido as sequências de cenas de Nina e Carminha, quando as duas ficam sozinhas no casarão e quando a Nina desmascara a Carminha. Eu me lembro dessa sequência de cenas até hoje, foram muito intensas e ao mesmo tempo, como atriz, eu e Adriana nos divertimos muito fazendo porque era um deleite fazer aquele texto, eu e ela, o jogo entre as atrizes. Foram cenas que me marcaram muito.

Como foi fazer a cena em que Carminha a enterra viva, tensa demais, não?

Na verdade eu acho que ela é muito mais tensa para quem assistiu do que para quem fez. Quando você faz uma cena dessas, você também está muito preparado para aquilo e é muito protegido. Depois que eu assisti a cena, ela foi muito mais tensa quando eu assisti do que quando eu fiz. Quando eu fiz eu estava no fluxo da gravação e não senti a potência daquela cena, mas depois o resultado me surpreendeu muito. Não só a cena que ela é enterrada viva como tudo que se desenrola depois.

Foi uma novela de sucesso, repetido na reprise. A que atribui todo esse sucesso?

Acho que uma junção de coisas, um texto muito bem escrito, o João Emanuel tem essa visão contemporânea da teledramaturgia, eu já tinha feito isso na A Favorita, ele tira o público da zona de conforto, o público é surpreendido o tempo inteiro, isso eu acho que conta muito, uma direção que dava muita liberdade aos atores e também jogava junto com eles e o elenco dos sonhos, parecia uma trupe que estava junta há muito tempo, que tinha muita liberdade um com o outro, que gostava de jogar um com o outro, tinha muito prazer no que estava fazendo. Acho que quando uma novela é feita com muita vontade, prazer, e as pessoas estão muito felizes realizando esse trabalho, isso também chega no público de uma forma forte.

Teve uma visão diferente ao rever a novela?

Quando a gente está gravando uma novela, nós temos uma outra relação com o trabalho, nós assistimos a novela trabalhando, assistimos para entender o tom da novela inteira, de como você vai continuar realizando o seu trabalho, você analisa o seu trabalho para isso te ajudar no momento que você está estudando as novas cenas, a gente assiste de uma forma diferente. Agora, depois de oito anos que eu fiz, eu assisto com mais distanciamento e me divertindo mais, eu consigo relaxar mais, prestar mais atenção no todo e me divertir mesmo mais com a história, com a novela, com as cenas dos outros atores também. Eu assisto de uma forma, talvez, muito mais parecida com a forma que público assistia.

 

Tudo o que sabemos sobre:

Televisão

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: