Um adeus ao Alf… da Silva

Estadão

05 de março de 2010 | 09h05

O Brasil amanhaceu hoje sem um dos seus maiores músicos, considerado por muitos o verdadeiro pai da Bossa Nova. Meu amigo e jornalista Plínio Teodoro, companheiro aqui do JT, nos manda um saboroso texto sobre o genial Johnny Alf, que nos deixou ontem. Na mesma semana, perdemos outro bamba: o sambista Walter Alfaiate. Além do talento em comum, os dois tinham a mesma elegância. Boa leitura!

 – É triste ver como a maioria dos brasileiros ainda trata seus filhos, esquecendo-os em algum canto qualquer. Ainda mais aqueles que tantos obstáculos superaram para mostrar um pouco da beleza do misticismo e da miscigenação que forma a cultura musical brasileira, tão valorizada pelo mundo afora e de tão pouco valor entre os seus.

Rapaz de bem até o fim de seus dias, Alfredo José da Silva ensaiou seus primeiros acordes no piano em Vila Isabel, bairro boêmio-romântico da zona norte do Rio. Músico brasileiro típico, ele, sem preciosismos preconceituosos, fundiu o que de melhor se produzia na indústria musical à época – o jazz – com o que seus ouvidos já estavam mais que acostumados a ouvir pelo subúrbio carioca – o samba.

 Nascia ali a bossa nova – ou, como diziam pros lados de lá, o brazilian jazz. Símbolo de um Brasil, dos anos 50, gigante, que se mostrava bem mais que um mero exportador de matéria-prima aos grandes centros. A bossa foi uma das grandes responsáveis por revelar que a balbúrdia de raças, credos e culturas que formou o povo brasileiro foi mais que uma benção, talvez um presente divino, à nação tupiniquim.

 Sob o ‘codinome’ Johnny – que lhe foi dado de presente por uma amiga estadunidense -, Alf influenciou grandes músicos pelo mundo, ao mostrar que o samba, em suas dezenas de variações, leva sempre uma exuberância que extasia. Assim, não foi por uma ilusão à toa que tantos nomes, de Tom Jobim a Frank Sinatra, carregaram – e que hoje muitos ainda carregam – o Silva de Alf em seus acordes. A benção, Johnny Alf!…

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