O samba pede passagem

Estadão

29 de dezembro de 2009 | 13h00

A principal cidade do país vem tratando muito mal os seus sambistas. Para quem gosta do gênero, é triste ver como trabalham os profissionais para produzir um dos maiores espetáculos da terra. Espremidos em barracões quase sempre improvisados, alguns deles localizados debaixo de viadutos, os carnavalescos precisam fazer mágica para levar aquele belíssimo espetáculo para a avenida.

Até hoje não consigo entender como um evento que movimenta mais de R$ 30 milhões por ano pode tratar seus principais personagens assim. A culpa é de quem? Todos os anos, a ladainha é a mesma: quando a Prefeitura vai liberar a grana para construir a tão falada Fábrica dos Sonhos, versão paulistana da Cidade do Samba, do Rio de Janeiro.

Durante a campanha para reeleição, o prefeito Gilberto Kassab chegou a lançar uma pedra fundamental. Para muitos sambistas, a Fábrica dos Sonhos já virou pesadelo. Uma pena! Já na Cidade Maravilhosa, o espaço virou até atração turística. O local serve como endereço para concorridos e badalados shows. No Rio, as escolas são tratadas como patrimônio histórico da cidade. Em São Paulo, infelizmente não!

Uma das agremiações mais tradicionais da capital, a Vai-Vai, que completa no dia 1º de janeiro 80 anos de fundação, até hoje ensaia nas ruas do Bexiga, causando um grande desconforto para os vizinhos. A Nenê da Vila Matilde, fundada há 61 anos pelo imortal seu Nenê, está preparando seu carnaval em um terreno baldio da zona norte. Até quando os operários do samba serão obrigados a conviver com esse descaso?

Uma das escolas mais tradicionais da cidade, a Vai-Vai, até hoje ensaia nas ruas do Bexiga Foto: Paulo Pinto/Arquivo AE

Uma das escolas mais tradicionais da cidade, a Vai-Vai, até hoje ensaia nas ruas do Bexiga Foto: Paulo Pinto/Arquivo AE

A Prefeitura, através de parcerias com a iniciativa privada, poderia transformar as quadras das escolas de samba em espaços para atividades esportivas e culturais no decorrer do ano. Com certeza, ocorreria uma transformação social na cidade. Mas o que a gente vê, é diferente. Os oportunistas só aparecem nos desfiles. E brigam para sair na foto!

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