A Roseira está em festa! Sejam bem-vindas Nenê e Peruche

Estadão

16 Fevereiro 2010 | 21h36

Há 16 anos sem conquistar um título, a Rosas de Ouro desbancou a maior favorita ao título de campeã do carnaval de São Paulo e levantou ontem o sétimo campeonato de sua história. Embora tenha considerado o desfile da Mocidade Alegre impecável e histórico, tenho que reconhecer que foi merecida a conquista da Roseira.

Aliás, o título da Rosas de Ouro vai fazer muito bem para o carnaval de São Paulo. É fundamental para o brilho dos desfiles a alternância de escolas campeãs.

CARNAVAL ROSAS DE OURO

A presidente da Rosas de Ouro Angelina Basílio comemora o título de campeã. Foto; Clayton de Souza/AE

Como sempre, a Roseira passou pela avenida com muito luxo e brilho. Destaque também para as alegorias da escola, muito bem acabadas. Não podemos deixar de reverenciar a bateria do mestre Tornado, que levantou a arquibancada com ousadas paradinhas. Linda ainda foi a rainha de bateria da escola, a atriz Hellen Roche, que desfilou com elegância e enorme simpatia.

Ao contrário de muitas oportunistas de plantão, Hellen criou uma identidade com a Rosas de Ouro. Esse foi o décimo ano dela pela Roseira. De fato, virou uma rainha da Roseira.

O título de ontem também serviu de confirmação para a presidente Angelina Basílio, de 50 anos. Filha de um dos fundadores da Rosas de Ouro, a dirigente  já estava tendo seu trabalho questionado por uma corrente da escola da Freguesia do Ó.

Mas com a conquista de ontem, Angelina vai ganhar fôlego para dar continuidade ao bom trabalho que vem fazendo. A Rosas se tornou uma escola-empresa. Na quadra, existem atividades ao longo de todo ano.  “Esse título estava engasgado, principalmente porque nos últimos anos batemos na trave. Esse campeonato é resultado de um trabalho árduo de um ano muito difícil”, disse a presidente, que chorava muito e precisou ser amparada por alguns membros da diretoria.

Angelina Basílio está na escola desde sua fundação, em 1971. Antes de assumir a presidência, ele foi diretora de alas e também foi porta-bandeira da Roseira, nos anos de 1973 e 74. 

Acesso
Sejam bem-vindas novamente Nenê da Vila Matilde e Unidos do Peruche para o lugar de onde vocês nunca deveriam ter saído. Foi comovente ver a festa da comunidade da zona leste. Imagino o tamanho da felicidade neste momento dos dois homens mais importantes vivos do carnaval de São Paulo: seu Nenê e seu Carlão, patriarcas e baluartes do samba. Os dois são a melhor tradução da nobreza e elegância do samba paulistano.

Lamento apenas pela Camisa Verde Branco, que terá mais uma vez que amargar o desfile do acesso em 2011. A escola da Barra Funda fez um desfile empolgante e merecia melhor sorte. Uma pena.