Desfile de gente grande e muito equilíbrio no Grupo de Acesso

Estadão

15 Fevereiro 2010 | 19h17

O jornalista Décio Trujilo faz uma análise dos desfiles do Grupo de Acesso, que neste ano reuniu três gigantes do carnaval de São Paulo: Nenê, Camisa e Peruche. Juntas, as três somam 18 títulos no Grupo Especial. Boa leitura!

Já se esperava uma disputa dura no Grupo de Acesso. São apenas duas vagas para o desfile principal e três escolas tradicionais na disputa: Camisa, Nenê e Peruche. Para complicar, um quarto elemento entrou na briga, a Dragões da Real. Quem ganhou foi o público que esteve no Anhembi no domingo e viu um espetáculo surpreendente, em muitos momentos superior ao de várias escolas que desfilaram no grupo principal.

Camisa Verde e Branco e Unidos do Peruche são as favoritas para subir. Apresentaram fantasias e alegorias impecáveis e evoluíram com a categoria e o peso de sua tradição. A Barra Funda leva certa vantagem porque tinha um samba melhor, que foi brilhantemente acompanhado por sua bateria, a Furiosa. A Dragões também apresentou visual caprichado, mas seu samba tem problemas e a bateria ainda está amadurecendo. No meio de três gigantes, isso pode ter feito diferença.

Já a Vila Matilde se destacou pelo belo samba e foi quem mais mexeu com o público, o que não é novidade, mas pecou nas fantasias de algumas alas e em detalhes nas alegorias, o que também não surpreende. Está correndo por fora, mas não será uma surpresa se subir.

A presença das três supercampeãs contribuiu com a qualidade do desfile. Afinal, na melhor das hipóteses uma delas vai continuar no domingo em 2011. Isso exigiu mais esforço e capricho de todas e, com certeza, nenhuma delas teria caído se tivesse desfilado no Especial como fizeram no Acesso. Além disso, elas têm o que mostrar quando se imagina o que é uma escola de samba: elegância, orgulho e simpatia.

São pessoas que estão ali porque gostam do samba e da escola do coração, não se preocupam em aparecer na televisão. Suas emocionantes velhas guardas são um espetáculo à parte e as baterias tem a essência do carnaval. Aliás, domingo havia vários diretores de bateria de escolas do grupo de cima no Anhembi. Fizeram bem em ir, pois devem ter aprendido muito.

Nenê, Camisa e Peruche, cada uma no seu estilo, deram uma aula de batucada, confirmando que para formar uma bateria de respeito não basta juntar um bom mestre e ritmistas de qualidade, é preciso ter DNA, ambiente, atitude. O mesmo batuqueiro age diferente quando está numa escola de tradição e em outra de menor peso histórico. É bom que seja assim, pois currículo se faz ao longo do tempo. E nesse quesito, Camisa, Peruche e Nenê sobram.

A bateria Furiosa passou pela avenida mostrando toda força da Camisa – Foto: Tiago Queiroz/AE

A bateria Furiosa passou pela avenida mostrando toda força da Camisa – Foto: Tiago Queiroz/AE