“Crescimento dos desfiles em SP é irreversível”, diz Leci Brandão

Estadão

18 de janeiro de 2010 | 23h15

Há oito anos comentando o carnaval paulistano para a Rede Globo, a sambista Leci Brandão, de 65 anos, acredita que os desfiles das escolas de samba de São Paulo atingiram um patamar técnico altíssimo.

“É um retorno que não tem mais volta. O carnaval de São Paulo se tornou uma realidade. De uns cinco anos para cá, as escolas daqui se tornaram referências quando discutimos carros alegóricos, por exemplo”, diz.

Para a sambista carioca, que desfilou por muitos anos na Estação Primeira de Mangueira como madrinha da ala de baianas, as escolas investiram muito em todos os quesitos. “Temos grandes casais de mestre-sala e porta bandeira, diretores de bateria e de harmonia, que poderiam estar trabalhando tranquilamente no Rio de Janeiro”, analisa.

Leci Brandão diz que os desfiles em São Paulo atingiram um nível altíssimo - Foto: Arquivo/AE

Leci Brandão diz que os desfiles em São Paulo atingiram um nível altíssimo - Foto: Arquivo/AE

Outro fator que teria contribuído para crescimento das escolas de São Paulo, segundo Leci, seria uma participação mais significativa da classe média paulistana. “Antigamente, as pessoas de grana viajavam durante o carnaval. O que a gente vê hoje é que essa camada de nossa socidade passou a curtir os desfiles. Escolheram uma escola e passaram a defender o seu pavilhão. Isso é maravilhoso. O carnaval é uma festa popular e democrática”, enfatiza.

O que tira o bom humor da simpática cantora é quando ela percebe que as escolas privilegiam em seus desfiles pessoas que não são da comunidade. “Isso me tira do sério mesmo. Me dói muito quando acontece. Os postos de destaques de uma escola pertencem de direito a comunidade. Mas sempre tem alguns oportunistas”, lamenta a mangueirense.

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