"Vidas paralisadas"
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"Vidas paralisadas"

Ricardo Lombardi

10 de novembro de 2009 | 06h05

moto

Reportagem de Fábio Fujita, “Vidas Paralisadas”, publicada na mais recente edição da Piauí (no site apenas para assinantes), traz alguns dados importantes sobre motos e motociclistas de São Paulo:

“(…) Quadruplicou o número de motoboys em São Paulo na última década. A cidade licencia hoje quase mil veículos novos por dia, fazendo com que os engarrafamentos batam recordes a cada semana. Com isso, o motoqueiro é a alternativa mais barata e rápida para a entrega de mercadorias de pequeno porte – que vão de pizzas a documentos, passando por dvds e buquês de flores. Segundo Dirceu Rodrigues Alves Júnior, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, a Abramet, foram vendidas 1,8 milhão de novas motos no Brasil, em 2008 e, com o aquecimento da economia, “a perspectiva das montadoras é aumentar cada vez mais a produção”.

Em contrapartida, apenas no período entre maio e julho passado, o Hospital das Clínicas recebeu 148 vítimas de acidentes de motos. No ano passado, houve 478 motociclistas mortos em São Paulo. “Nesse número só entram as mortes no local”, ressalvou Aldemir Martins, presidente do sindicato dos motoboys, o Sindimoto. “A morte posterior, decorrente do trauma, não está nesse cálculo.”

(…)

De motociclistas que se acidentam e sobrevivem, mais de 70% ficam com algum tipo de comprometimento nas pernas – o que pode significar amputações, infecções tardias e recorrentes (que muitas vezes são mortais), enrijecimento e perda de movimento. Segundo Dirceu Alves Júnior, que viu casos terríveis em seus 24 anos de trabalho na Abramet – como motociclistas com a massa encefálica transbordando de um crânio aberto -, o dano tende a ser irreparável. “O acidentado precisa de tratamento de longuíssimo prazo”, disse, “porque ele já chega à uti com infecção produzida pelo próprio asfalto e vai precisar de múltiplas cirurgias.”

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