Um gênio precisa ser precoce?
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Um gênio precisa ser precoce?

Ricardo Lombardi

13 de outubro de 2008 | 08h22

“Por que nós equiparamos genialidade com precocidade?”, pergunta o editor desta ótima reportagem da New Yorker, publicada na revista que chega às bancas hoje. O autor dá exemplos para sugerir que, ao menos no imaginário popular, fazer algo realmente criativo na vida requer o “frescor, a exuberância e a energia da juventude”: Orson Welles fez sua obra prima, “Cidadão Kane,” aos 25. Mozart compôs o Concerto para Piano nº 9 aos 21. Na poesia, então, a importância da precocidade parecer ser maior: T. S. Eliot escreveu “The Love Song of J. Alfred Prufrock” (“Envelheci… Envelheci…”), aos 23. Depois disso, a matéria começa a desconstruir essa idéia de um jeito criativo, e chega na oposição entre Picasso e Cezánne. O primeiro se encaixa na nossa concepção de gênio, tendo produzido obras que são consideradas “primas” aos 20 e poucos anos. Já Cezánne, o contrário. O melhor do pintor — em exibição no D’Orsay de Paris, por exemplo — foi realizado no fim de sua carreira. O autor do texto sugere que não temos prestado muita atenção nos Cezánnes do mundo: “O frescor, a exuberância e a energia da juventude fizeram pouco por Cézanne. Ele floresceu tardiamente”, escreve. E nós esquecemos de olhar para eles, apontando o foco sempre para as “novas gerações” — cada vez mais valorizadas — em todas as áreas da cultura. Alguma revista ou jornal deveria comprar os direitos do texto e publicá-lo em português. Vale a pena.

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