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Um (extraordinário) violinista no metrô

Ricardo Lombardi

04 de julho de 2007 | 09h03

O repórter Gene Weingarten, do The Washington Post, fez uma das melhores matérias que eu tive a oportunidade de ler em 2007. Ele levou para uma movimentada estação de metrô de Washington, nos Estados Unidos, o violinista Joshua Bell (foto), 39 anos, um dos principais nomes da música clássica contemporânea, e fez com que ele ficasse tocando, incógnito, num canto da estação, enquanto as pessoas passavam. Ninguém sabia quem ele era. Para a massa que ia para o trabalho, Bell parecia apenas mais um músico tentando ganhar algum dinheiro. Escreve Weingarten: “Nos quase três quartos de hora que Joshua Bell tocou, sete pessoas pararam o que estavam fazendo para ficar por perto e acompanhar a música por, pelo menos, um minuto. Vinte e sete deram dinheiro, – totalizando 32 dólares e trocados. O que nos deixa com 1070 pessoas que passaram por ali às pressas, sem perceber nada, muitas a apenas 1 metro do músico, poucas nem sequer virando o rosto para olhar”. Uma das questões da pauta era essa: se um músico extraordinário como Bell toca músicas extraordinárias mas ninguém escuta, será que ele é mesmo extraordinário?

A reportagem do Post (“Pearls Before Breakfast”) está na edição de julho da revista Piauí, que merece os parabéns por ter achado e traduzido o texto antes de todo mundo. A revista não disponibilizou a matéria no site, mas você pode ler o texto original, sem cortes, neste link (que também traz trechos do vídeo gravado pela câmera da estação). Uma aula de pauta, de texto e de apuração. Até uma engraxate brasileira que presenciou o concerto foi entrevistada. Não deixe de ler.

PS: O Washington Post também colocou na Web o áudio da apresentação de Bell no metrô. Está aqui.

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