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Sugestão de leitura: “Ilusões Perdidas”, de Graciela Mochkofsky

Ricardo Lombardi

03 de junho de 2013 | 10h41

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Sugestão de leitura: o texto “Ilusões Perdidas”, de Graciela Mochkofsky, publicado pela revista Piauí. Ela narra a sua trajetória, da glória à agonia dos grandes jornais, “e vê sua espécie ameaçada de extinção com a asfixia da imprensa crítica e independente”. Um trecho

“(…) Sem saber, nossa geração estava sendo preparada em nível olímpico para uma competição cuja natureza e cujas regras mudariam por completo quando chegássemos à idade de lutar pelas primeiras colocações. Como se, depois de sermos treinados durante anos para quebrar o recorde dos 100 metros rasos, de repente nos avisassem que iríamos competir numa corrida de saco aberta a qualquer pessoa que resolvesse participar.

A terrível notícia: não precisam mais de nós.

Eric Alterman escreve na New Yorker outra frase que logo também será um bordão: há uma “mudança de paradigma”. Antigamente, uma elite preparada detinha a missão e o poder de obter e processar a informação e de distribuí-la entre um público predominantemente passivo; agora, amplos coletivos desejam se informar por meio de uma contínua “conversa” entre seus membros. Ele também alerta para o risco de que essas conversas se deem em comunidades isoladas, que falam consigo mesmas, e nunca além dos limites da sua bolha.

Recebemos uma avalanche de estatísticas. Segundo uma pesquisa da Universidade Columbia, o total de jornalistas contratados nos jornais americanos, que entre 1971 e 1992 passou de 40 mil a mais de 60 mil, voltou a 40 mil em 2009. Os anúncios em jornais de papel caíram 23% em dois anos, segundo relatório sobre o estado da mídia 2009 do Pew Project for Excellence in Journalism. “Alguns jornais estão em bancarrota”, diz o relatório, “outros perderam três quartos de seu valor de mercado. Quase um de cada cinco jornalistas que trabalhavam em jornais em 2001 perdeu seu emprego, e é possível que 2009 seja ainda pior.” Nos canais de televisão, as equipes de notícias foram reduzidas “a níveis sem precedente” e o faturamento caiu 7% em um ano eleitoral, “coisa nunca vista”. Doze jornais metropolitanos foram fechados e dez passaram a ser publicados exclusivamente online, ou reduziram ao mínimo sua existência em papel desde março de 2007, segundo o site Newspaper Death Watch.(…)”

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