"Sinto que minha vida diária não tem importância, que eu deveria estar fazendo algo diferente. Por quê?"
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"Sinto que minha vida diária não tem importância, que eu deveria estar fazendo algo diferente. Por quê?"

Ricardo Lombardi

06 de janeiro de 2010 | 05h51

orozco

“- Sinto que minha vida diária não tem importância, que eu deveria estar fazendo algo diferente. Por quê?
– Quando estiver comendo, coma. Quando sair para um passeio, ande. Não diga “eu deveria estar fazendo algo diferente”. Quando estiver lendo, dê a isso a sua atenção completa, seja um romance policial, uma revista, a Bíblia, seja o que for. Atenção completa é atenção completa e, portanto, não há essa de “eu deveria estar fazendo algo diferente”. Só quando estamos desatentos é que surge o sentimento de “pelo amor de Deus, eu tenho de fazer alguma coisa melhor”. Se dá atenção completa quando está comendo, isso é ação. O importante não é o que fazemos, mas se podemos dar a isso total atenção. Por atenção, não quero dizer algo que aprendemos através de concentração na escola ou na empresa, mas observar com nosso corpo, nossos nervos, nossa visão, nossos ouvidos, nossa mente, nosso coração _inteiramente. Se fizermos isso, haverá uma mudança enorme em nossa vida. Algo exigirá toda nossa energia, vitalidade, atenção. A vida exige essa atenção a todo minuto, mas fomos tão treinados em desatenção que procuramos sempre escapar da atenção para a desatenção. Dizemos “como é que vou observar? Eu sou preguiçoso”. Seja preguiçoso, mas totalmente atento à preguiça. Seja totalmente atento à desatenção. Saiba que está totalmente desatento. E quando souber que está inteiramente atento à desatenção, estará atento.”

Trecho do livro “A Humanidade Pode Mudar?”, do pensador indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986). Via blog do Armando Antenore. Para ilustrar, trabalho de Gabriel Orozco.

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