"Seríamos todos nós outsiders?"
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

"Seríamos todos nós outsiders?"

Ricardo Lombardi

02 de dezembro de 2008 | 05h55

Circular: “O escritor irlandês Colm Tóibín é um outsider. Franz Kafka, Keats, Albert Camus, Dostoievski, Sartre e Lúcio Cardoso também. Outsider é o cavalo com menos chances de ganhar. Outsider é o navio mercante que não obedece aos acordos estabelecidos pelas Conferências de Frete, segundo definição do Aurélio.

De acordo com o Cambridge International Dictionary of English, o outsider é aquele que não participa de nenhum grupo social ou organização, sendo também considerado como outsider, todo aquele que não reside em um determinado local. Estranhos e estrangeiros. O sujeito que não é apreciado ou aceito como membro de um grupo particular, de uma organização ou sociedade e que se sente diferente daqueles que são membros.

A história da literatura é repleta de outsiders que saíram de suas terras ou de si mesmos e buscaram desesperadamente, algumas vezes, reencontrar-se. Colin Wilson ilustra a condição do outsider com a frase de John Keats, que dizia sentir-se ‘como se já tivesse morrido e vivesse agora uma existência póstuma’. A inquietação de um outsider também está bem expressa nos versos de William Buttler Yeats, que afirma: ‘aquilo que buscam milhões de lábios no mundo, / deve estar substancialmente em algum lugar …’

Em A luz do subsolo, de Lúcio Cardoso, encontramos o outsider entregue a descrença, para aquém das convenções e dos laços afetivos:

‘Eu sou um animal das trevas, um ser desconhecido e solitário, marcado por algum tremendo enigma a que eu mesmo desconheço, mas que segue os meus atos, como a sombra das minhas mãos seguem as minhas mãos’

Seríamos todos nós outsiders?” (Cláudia Castelo Branco, lá no blog dela).

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: