"Senhor Buda, fracassei, ainda sou apegado ao mundo"
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"Senhor Buda, fracassei, ainda sou apegado ao mundo"

Ricardo Lombardi

12 de fevereiro de 2009 | 06h01

Circular: “E as suas referências literárias quais são? Quais escritores influenciaram seu trabalho?
Acho que foram quatro os autores que mais me influenciaram. O Machado de Assis, o Thomas Mann, o Robert Musil, principalmente neste livro, ‘O mundo como obra de arte criada pelo Brasil’, em parte inspirado em ‘Um homem sem qualidades’, em que um grupo de pessoas se reúne para comemorar os 70 anos do reinado do imperador da Áustria-Hungria, era um evento equivalente ao samba enredo no meu livro. E o Chomei, escritor japonês que é o autor do livro que eu mais gosto, um livrinho de 20 páginas. Ele era um monge budista do século XII, XIII e ele escreveu um livro autobiográfico. Ele vivia na corte, como nobre, no meio do luxo e da luxúria e abandonou tudo para ser monge budista, foi pro meio da floresta numa montanha, construiu uma cabana isolada que tinha uma esteira, uma guitarra e um outro instrumento musical de cordas, uma espécie de viola, uma escrivaninha para ele escrever e uma horta para completar a alimentação que ele conseguia na floresta. E ele passou o resto da vida dele lá, viveu ali durante décadas mal encontrando pessoas, passava anos sem ver ninguém e terminou o livro melancolicamente dizendo: Senhor Buda, fracassei, ainda sou apegado ao mundo. Eu amo minha cabana, minha esteira, minha escrivaninha…”

(Renato Pompeu, jornalista e escritor, em entrevista a Marina Amaral). Para ilustrar o post, trabalho de Werner Reiterer.

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