"São Vicente e o Santos de Pelé"
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"São Vicente e o Santos de Pelé"

Ricardo Lombardi

29 de maio de 2008 | 07h03

Sugestão de leitura (especialmente para que tem uma relação afetiva com o futebol): o texto “São Vicente e o Santos de Pelé“, de José Miguel Wisnik, publicado pela Piauí. “Ter sido exposto à força e à beleza do futebol da Baixada Santista dos anos 50 e 60, como se ele fosse normal, pode ter provocado danos irreversíveis à minha personalidade”, escreve o autor. Outro trecho que destaco é este aqui: “Ao voltar da Copa de 1970, ao lado do seu carro, num posto de gasolina, cercado de populares para os quais comentava um lance da Copa, Pelé foi abordado por meu amigo Wanderley Sanches. Ele teria aberto espaço entre os curiosos e lhe perguntado com naturalidade: ‘Pode me dizer onde fica a rua Djalma Dutra?’ Além do efeito de desconcertante trivialidade, Wanderley, um gênio maliciosamente (ou deliciosamente) erradio de poeta-filósofo, que aplicava sua metafísica originalíssima ao exame das circunstâncias, queria conferir, segundo ele mesmo, se aquela cabeça vista por milhões ao fazer o primeiro gol da final contra a Itália continha uma certa ‘informação local’. Se a história é verídica ou inventada por ele, não importa, nem a resposta. Ela se basta como a cifra do que vivíamos ali, e como a antevisão de uma experiência nova que mal se prefigurava – o primeiro espasmo da localidade com a globalidade planetária.” Por falar em Jose Miguel Wisnik, ele e a jornalista Patrícia Palumbo discutem hoje (19h), no Centro Cultural Alumni, em São Paulo, a nova linguagem da MPB.

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