Realizar um grande trabalho requer uma mente pura
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Realizar um grande trabalho requer uma mente pura

Ricardo Lombardi

07 de abril de 2010 | 21h41

perelmanReleia a matéria da revista piauí sobre Grigory Perelman (foto), o matemático que solucionou a conjectura de Poincaré e acaba de recusar um prêmio de US$ 1 milhão. Um trecho:

“(…) A perspectiva de receber a medalha Fields o forçara a romper totalmente com seu grupo profissional. “Enquanto eu não era visível, tinha uma escolha”, Perelman explicou. “Fazer alguma coisa bem desagradável” – um auê pela falta de integridade da comunidade matemática – “ou, se não fizesse esse tipo de coisa, ser tratado como uma pessoa boazinha. Ora, ao me tornar uma pessoa bem visível, não posso permanecer bonzinho e não dizer nada. Por isso tive de sair.” Perguntamos a Perelman se, ao recusar a medalha Fields e se afastar da profissão, estava eliminando qualquer possibilidade de influenciar a disciplina. “Não sou um político!”, ele respondeu, contrariado. Perelman confirmou o que disse ao não comparecer, em agosto do ano passado, à cerimônia de entrega do prêmio, em Madrid. Perelman não quis dizer se sua objeção às recompensas se estendia ao prêmio de 1 milhão de dólares do Instituto Clay. “Só vou decidir se aceitarei o prêmio depois que ele for oferecido”, respondeu.
Mikhail Gromov, o geômetra russo, declarou que entendia a lógica de Perelman. “Realizar um grande trabalho requer uma mente pura. Você só pode pensar em matemática. Todo o resto é fraqueza humana. Aceitar prêmios é mostrar fraqueza.” Segundo Gromov, outras pessoas poderiam achar arrogante a recusa de Perelman em aceitar a medalha Fields, mas seus princípios são admiráveis. “O cientista ideal faz ciência e nada mais importa para ele”, explicou Gromov. “Ele quer viver seu ideal. Ora, não acho que ele viva realmente nesse plano ideal. Mas gostaria.””

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