"Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos."
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

"Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos."

Ricardo Lombardi

23 de março de 2009 | 06h08

Circular: Abaixo, algumas frases de Nelson Rodrigues, tiradas do livro “Flor de Obsessão”:

 

“- No passado, a notícia e o fato eram simultâneos. O atropelado acabava de estrebuchar na página do jornal.

– Não reparem que eu misture os tratamentos de “tu” e “você”. Não acredito em brasileiro sem erro de concordância.

– Nossa ficção é cega para o cio nacional. Por exemplo: não há, na obra do Guimarães Rosa, uma só curra.

– Os magros só deviam amar vestidos, e nunca no claro.

– Um filho, numa mulher, é uma transformação. Até uma cretina, quando tem um filho, melhora.

– O cardiologista não tem, como o analista, dez anos para curar o doente. Ou melhor: — dez anos para não curar. Não há no enfarte a paciência das neuroses.

– Não há ninguém mais vago, mais irrelevante, mais contínuo do que o ex-ministro.

– Nunca a mulher foi menos amada do que em nossos dias.

– O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento.

– Enquanto um sábio negro não puder ser nosso embaixador em Paris, nós seremos o pré-Brasil.

– Quem nunca desejou morrer com o ser amado nunca amou, nem sabe o que é amar.

– Se eu tivesse que dar um conselho, diria aos mais jovens: — não façam literatice. O brasileiro é fascinado pelo chocalho da palavra.

– Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos.

– Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.

– Quero crer que certas épocas são doentes mentais. Por exemplo: — a nossa.

– Sexo é para operário.

– Morder é tara? Tara é não morder.

– Todo tímido é candidato a um crime sexual.

– Só há uma tosse admissível: — a nossa.

– Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.

– Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.”

(A foto eu peguei aqui).

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.