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Por que ler “Sonhos de Einstein”, de Alan Lightman

A escritora Liliane Prata recomenda esta semana um excelente livro do físico, escritor e ensaísta Alan Lightman, lançado no Brasil em 1993 pela Companhia das Letras. Para quem, como T. S. Eliot, mede a vida em colherinhas...

Ricardo Lombardi

04 de novembro de 2014 | 09h39

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Por Liliane Prata, especial para o Desculpe a Poeira

Estamos habituados a medir o tempo com o relógio. Mas todos nós experimentamos aqueles momentos em que as horas passam mais rápido, assim como aqueles instantes em que o cada minuto parece ter muito mais do que sessenta segundos. Podemos chamar essas nossas percepções pessoais das horas de “tempo do coração”, que, ao contrário do “tempo mecânico”, aquele do relógio, é medido pelas batidas no nosso peito. Essa é só uma das maneiras de pensar o tempo que aparecem no livro “Sonhos de Einstein“, do físico Alan Lightman. Aqui, Einstein é um jovem que vive no começo do século 19 e anda sendo acometido por sonhos muito estranhos. Cada um desses sonhos é um conto que nos apresenta o tempo de uma maneira diferente da que conhecemos. Um dos contos traz o tal tempo do coração. Em outro, questiona-se como seria diferente nossa relação com a existência se soubéssemos o que vai nos acontecer lá na frente. Outro, ainda, se tivéssemos todo o tempo do mundo: você seria aquele que falaria muitas línguas e colecionaria experiências, já que não lhe faltaria tempo para fazer tudo o que quer, ou, pelo contrário, seria aquele que não sairia do sofá… Já que não lhe faltaria tempo para fazer tudo o que quer? “Sonhos de Einstein” é um livro fantástico, com continhos escritos de maneira simples, sem sofisticação literária, mas com tanta filosofia e poesia que vai ser difícil deixar de pensar nele por um bom tempo. Foi o que aconteceu comigo, que nunca esqueci esse livrinho. Se viver é preencher o tempo, o modo como lidamos com o tic tac do relógio é, afinal de contas, o modo como tratamos nossa própria vida.

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