Os tradutores e o jornalismo
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Os tradutores e o jornalismo

Ricardo Lombardi

17 de novembro de 2008 | 06h01

Um coincidência no fim de semana jogou a atenção sobre o trabalho dos tradutores das redações dos grandes jornais, que normalmente passa despercebido. Tanto o Estadão quanto a Folha de S.Paulo publicaram, com direito a chamada de capa e no mesmo dia, um artigo de Paul Krugman (foto), colunista do New York Times que ganhou o Nobel de economia. Reproduzo os dois primeiros parágrafos das duas versões — bem diferentes uma da outra:

No Estadão:

“As notícias econômicas, caso vocês não tenham notado, continuam piorando. Por ruim que esteja a situação, porém, eu não espero uma outra Grande Depressão. Aliás, provavelmente não veremos o desemprego atingir seu pico pós-Depressão de 10,7%, alcançado em 1982 (gostaria de estar seguro sobre isso).

Mas já estamos perfeitamente na esfera do que chamo de economia de depressão. Com isso, quero dizer um estado de coisas como o dos anos 1930, em que as ferramentas habituais de política econômica — sobretudo a capacidade do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de estimular a economia, cortando taxas de juros — perderam toda tração.

Na Folha:

“As notícias econômicas, se vocês não perceberam, continuam a piorar. Mas por piores que sejam, não antecipo uma nova Grande Depressão. De fato, não devemos ver o desemprego atingir de novo seu pico posterior à Depressão, 10,7%, estabelecido em 1982 (embora eu preferisse me sentir mais seguro quanto a isso).

Mas já estamos bem adentrados no território no que denomino como ‘economia da depressão’. O que quero dizer é um estado de coisa semelhante ao que existia nos anos 1930, no qual as ferramentas da política econômica -especialmente a capacidade do Federal Reserve de continuar bombeando estímulo para a economia com cortes dos juros- perdem a capacidade.”

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