"Os livros eram bons para desenvolver um espírito contemplativo. Telas incentivam um pensamento mais utilitarista"
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"Os livros eram bons para desenvolver um espírito contemplativo. Telas incentivam um pensamento mais utilitarista"

Ricardo Lombardi

21 de setembro de 2010 | 18h57

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Sugestão de leitura: texto de Kevin Kelly publicado na última edição da Smithsonian Magazine. Segundo Kelly, a palavra impressa se tornará cada vez mais relevante. Rodrigo Velloso, do blog Midiascopio, traduziu o texto. Abaixo, um trecho:

“(…) Os livros eram bons para desenvolver um espírito contemplativo. Telas incentivam um pensamento mais utilitarista. Uma nova idéia ou fato estranho provoca um reflexo de fazer alguma coisa: pesquisar o termo, consultar “amigos” da tela sobre suas opiniões, encontrar pontos de vista alternativos, criar um marcador, interagir ou twitar a coisa ao invés de simplesmente contemplá-la. A leitura de livros fortaleceu nossas habilidades analíticas, incentivando-nos a seguir uma observação até a nota de rodapé. A leitura de tela incentiva a rápida identificação de padrões, a associação desta idéia com aquela, equipando-nos a lidar com os milhares de novos pensamentos expressados todos os dias. As tela incentiva e nutre o pensar em tempo real. Resenhamos um filme enquanto o assistimos, desenterramos um fato obscuro no meio de uma discussão e podemos ler o manual de instruções de um gadget que espiamos em uma loja antes de comprá-lo em vez de esperar até chegar em casa para descobrir que ele não faz o que precisamos que faça.

Telas provocam ação em vez de persuasão. Desinformação é menos eficaz em um mundo de telas, pois ainda que ela viaje rápido, as correções também viajam. Nas telas, é mais fácil corrigir uma mentira do que contá-la. A Wikipédia funciona tão bem porque remove um erro com um único clique. Nos livros encontramos uma verdade revelada enquanto na tela montamos nossa própria verdade a partir de peças. Em telas conectadas à rede, tudo está vinculado a todo o resto. O status de uma nova criação não é determinado pela avaliação de críticos, mas pelo grau em que ela está vinculada (“linkada”) ao resto do mundo. Uma pessoa, fato ou artefato não “existe” até que esteja vinculado. (…)”