"O passado não tem fim. O passado sequer passou"
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"O passado não tem fim. O passado sequer passou"

Ricardo Lombardi

21 de maio de 2009 | 06h09

Circular: (…) Saído do Incor, fui remetido a uma clínica de desintoxicação em Jundiaí, mas fora da cidade. Uma chácara grande, sem barulho. A média do tratamento é três meses. Para ficar vivo, fiquei aqui, no meio do mato, até hoje e nem penso em sair. Jornalismo, para mim, seja em que lugar for, é uma impossibilidade. Não consigo me imaginar me comprometendo, me dando (e recebendo) numa redação.

Tu falas nas redações que nos mastigaram. É verdade. Sempre foi o que nos tocou deste latifúndio. Se eu tivesse a poesia, como tu, talvez fosse ainda mais duro, como é para um sujeito atrasado para um encontro e sendo obrigado a dar atenção as queixas de um vizinho chato. Mas uma redação era meu destino e eu cumpri, bem ou mal. (…)

Eu sei, embora uma voz, lá no fundo negue, que eu podia ter me saído melhor no jornalismo. Sei que é o orgulho que está falando. Mas se tu fores olhar teu passado e avaliar os erros, tu entras naquela frase do Faulker em ‘O Som e a Fúria’: ‘O passado não tem fim. O passado sequer passou’.

Paro aqui, para não ‘puxar angústia’, como diziam os personagens de Fernando Sabino em ‘Encontro Marcado’. Um abração. Zé.”

(José Onofre, via blog do Nei Duclós). Para ilustrar, trabalhos de Emilie Halpern.

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