O fio dental
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O fio dental

Ricardo Lombardi

14 de janeiro de 2009 | 06h02

Circular: “(…) O fio dental”

“O descendente direto e mais atrevido da tanga, o fio dental é o enfant terrible da moda de praia. Lacônico e conciso como o traço de um calígrafo persa desenhando a consoante que mais intrigava Mallarmé, seu y é um triunfo da engenharia e da proporção a um passo da obscenidade. São justamente os passos que faltam para o triunfo do obsceno que o calor de janeiro indica – e que o corpo feminino usa como uma arma, um brasão, um escudo heráldico e uma tatuagem de náilon. Quem observa o corpo de uma mulher que passeia pela praia com seu fio dental apertado e preciso é capaz de sentir cintilações tão celestes quanto as que conturbavam Robert Herrick quando via em sedas passear sua Julia. As cintilações nesse caso, a bem da verdade, nem sempre são tão celestes. (…)”

(Sérgio Augusto de Andrade em “Quintessências — Imagens que ajudam a definir o verão escandalosamente pródigo do Brasil”).

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