O excesso de seriedade tem algo de suspeito
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O excesso de seriedade tem algo de suspeito

Ricardo Lombardi

19 de janeiro de 2009 | 06h02

Circular: “Que ele [o humor] seja uma virtude poderá surpreender. Mas é que toda a seriedade é condenável, referindo-se a nós mesmos. O humor nos preserva dela e, além do prazer que sentimos com ele, é estimado por isso.

Se ‘a seriedade designa a situação intermediária de um homem equidistante entre desespero e futilidade’, como diz lindamente Jankélévitch, devemos observar que o humor, ao contrário, opta resolutamente pelos dois extremos. ‘Polidez do desespero’, dizia Vian, e a futilidade pode fazer parte dela. É impolido dar-se ares de importância. É ridículo levar-se a sério. Não ter humor é não ter humildade, é não ter lucidez, é não ter leveza, é ser demasiado cheio de si, é estar demasiado enganado acerca de si, é ser demasiado severo ou demasiado agressivo, é quase sempre carecer, com isso, de generosidade, de doçura, de misericórdia… O excesso de seriedade, mesmo na virtude, tem algo de suspeito e de inquietante: deve haver alguma ilusão ou algum fanatismo nisso… É virtude que se acredita e que, por isso, carece de virtude. (…)”

(André Comte-Sponville, “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”, capítulo 17, “O Humor””.

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