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O destino dos livros

Ricardo Lombardi

10 de outubro de 2013 | 11h01

Sugestão de leitura: o artigo “O destino dos livros“, publicado no site da revista Serrote. Separei um trecho:

“(…) Os autores não vão precisar das editoras para produzir ou distribuir, portanto haverá poucas barreiras a atravessar — a não ser escrever o danado do livro. Isso já se tornou verdade, e ainda vai se tornar mais verdadeiro. Escrever um livro não vai significar muita coisa. Haverá muito mais informações disponíveis em algo semelhante ao formato de um livro do que jamais houve, mas no geral o padrão de qualidade será mais baixo. E o número de autores publicados se tornará semelhante ao número de leitores que pagarão por um livro.

A maioria dos autores vai ganhar a maior parte de seu dinheiro com aparições ao vivo ou consultoria em vez de ganhar com a venda de livros. Autores bem-sucedidos vão ganhar a vida em tempo real e, portanto, tenderão a ser jovens e sem filhos, independentemente ricos ou beneficiários de alguma instituição. Não tenderão a serem estudiosos  independentes com famílias. Enquanto isso, muitas pessoas vão fingir serem autores comercialmente bem sucedidos e vão investir dinheiro para ampliar a ilusão. Uma plutocracia intelectual emergirá gradualmente.

Muitos livros estarão disponíveis apenas por meio de um aparelho específico — um tipo novo de obstáculo — mas alguns bons livros, de autores que, de outra forma, seriam obscuros, se tornarão proeminentes. Quando uma empresa introduzir no mercado um novo aparelho de leitura, haverá um aumento de visibilidade de autores cujos textos só estarão disponíveis nesse aparelho. (…)

(…) Os leitores se tornarão cidadãos de segunda classe em termos econômicos. (Quando compra um livro de papel, você possui algo que pode revender. Quando um leitor “compra” um ebook, está apenas assinando um contrato de acesso. O leitor não tem capital, nada para revender, nada que possa agregar valor por se tornar um item de colecionador). Ficarão presos a um aparelho ou a um contrato de serviços de telefone celular durante anos. Perderão suas próprias bibliotecas, anotações e até mesmo os próprios textos quando mudarem de provedor de serviços. (…)

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