"Nossa existência é uma questão de escolha"
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"Nossa existência é uma questão de escolha"

Ricardo Lombardi

05 de janeiro de 2009 | 06h01

Circular: “(…) Se, de um lado, vivemos sob a suposição de que tudo na vida pode ser uma escolha (além das escolhas de consumo e opções políticas, podemos escolher não apenas a aparência, mas nossa orientação sexual, se teremos filhos ou não, qual tipo de tratamento médico queremos), de outro, a própria escolha parece provocar ansiedade e ser profundamente insatisfatória. Essa é a razão pela qual muitas vezes ouvimos na mídia popular que nossa sociedade, na verdade, sofre de uma tirania da escolha e da abundância de liberdade.

O filósofo existencialista e escritor Albert Camus descreve de belíssima maneira como tudo na vida é uma questão de escolha: ‘Devo me matar ou tomar uma xícara de café?’ Isso não quer dizer que nossa existência seja simplesmente definida pelas escolhas que fazemos na vida; nossa existência é uma questão de escolha.

Em relação às escolhas na vida, Freud fez comentários bastante céticos. Quando um amigo perguntou a Freud se deveria se casar ou não, Freud teria dito que quando se trata de pequenos assuntos da vida, deve se pensar longa e duramente antes de tomar uma decisão, mas quando chegam os grandes, como casar ou ter filhos, a pessoa deve apenas fazer. Alguém poderia especular que não importa o que nós racionalmente escolhemos nessas circunstâncias, nunca estaremos aptos a determinar o resultado de nosso comportamento porque o inconsciente nos guia sempre por caminhos que não podemos controlar. (…)”

(Renata Salecl em “Sobre a Felicidade — Ansiedade e Consumo na Era do Hipercapitalismo“. Para ilustrar, “Sip My Ocean”, trabalho de Pipilotti Rist.)

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