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Escute o silêncio

Ricardo Lombardi

28 Fevereiro 2008 | 06h53

Um texto do meu baú: “Escutar o Silêncio“, em que o historiador Peter Burke “aponta as vantagens de ficar de boca fechada”. Um trecho, para esquentar o assunto: “Para nós é comum pensar o silêncio como algo negativo, a mera ausência do som. Neste artigo eu tentarei persuadir você a pensar o silêncio de uma maneira mais positiva. Os silêncios — é melhor pensar no plural — podem ser longos ou curtos. Variam tanto em qualidade quanto em quantidade. Podem ser naturais ou culturais, por exemplo. Podem ser voluntários ou forçados, espontâneos ou estratégicos, cálidos ou frios ou, como às vezes dizemos, “um silêncio de pedra”. Podem ser normais ou patológicos. A ausência do falar pode igualmente expressar discrição ou humildade. Um silêncio desdenhoso ou insolente precisa ser distinguido de um ameaçador. As pessoas se encontram sem palavras por assombro, embaraço ou até raiva. Enfim, o silêncio não é um fenômeno puramente negativo.” Foi publicado no caderno Mais!, da Folha de S.Paulo, em 1999.