"Em Trânsito — Um estudo sobre narrativas de viagem"
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

"Em Trânsito — Um estudo sobre narrativas de viagem"

Ricardo Lombardi

24 de junho de 2009 | 07h17

Vale a pena ler “

” (arquivo em PDF), o recém-concluído doutorado em Letras do jornalista e escritor Renato Modernell. O resumo, nas palavras do autor: “Este estudo investiga de que modo a Narrativa de Viagem se articula com a ficção literária. Levando em conta processos de composição, recursos de estilo e o hibridismo temático, discute se essa narrativa constitui um gênero representativo da cultura pós-moderna. Três livros aparecem em primeiro plano: A última casa de ópio (The last opium den), de Nick Tosches; Mulher de Porto Pim (Donna di Porto Pim), de Antonio Tabucchi; e Um adivinho me disse (Un indovino mi disse), de Tiziano Terzani. Nessas obras, os autores relatam suas impressões de viagem por países do sudeste asiático e pelo arquipélago dos Açores. Este trabalho correlaciona os textos entre si e a diversos outros.” Em seu blog, Modernell acrescenta o seguinte:

“(…) A reversibilidade do movimento evoca minha experiência pessoal. Aos 22 e aos 33 anos de idade resolvi viajar levando a vida em aberto. Vendi o pouco que tinha e saí do país sem passagem de volta nem previsão de retorno. Na primeira vez, por medida de economia, fui de navio. O Cabo San Roque, espanhol, de umas 15 mil toneladas, fora um barco glamoroso nos anos 60 mas já estava decadente naquele outono de 1976 em que fazia sua última travessia do Atlântico em linha regular de passageiros. O detalhe ornamentou minha aventura.

Nenhuma das demais viagens que fiz rivalizou, na essência, com aquelas sem passagem de volta. As outras tiveram a premissa do retorno como fator de perturbação, feito uma torneira gotejante. O ritual da volta para casa pode ser reconfortante, mas nunca vertiginoso e revelador quanto a consciência, ao partir, de talvez se estar vendo tudo à volta pela última vez. O gostinho do irreversível. Mesmo quando se retorna de uma viagem em aberto, sente-se o mundo habitual de modo diferente. Então não será uma volta, mas um salto para um patamar existencial situado uma oitava acima do momento da partida. (…)”

Bacana.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: