Elogio do torresminho
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Elogio do torresminho

Ricardo Lombardi

31 de maio de 2010 | 18h49

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Sugestão de leitura (especialmente para quem gosta de gastronomia): o texto “Elogio do torresminho“, de Carlos Alberto Dória, publicado no site Trópico. “Para cultura anoréxica de nosso tempo, comer carne de porco tornou-se um prazer excessivo e pecaminoso”, diz o destaque do editor. Abaixo, um trecho:

“(…) O mineiro come 22 quilos de carne por ano, sendo 10 de carne de boi e 8 de carne de porco. Já o paulista come 25, sendo 13 de carne de boi e 5 de carne de porco. Tanto um quanto outro têm seu consumo maior nos estratos de maior renda. A “dessuinização” da dieta parece ser uma tendência da urbanização e da riqueza.

Uma tendência histórica incontestável. Como bem mostra Warren Belasco, o século 19 entronizou a bovinocultura como o modo civilizado de comer carne, especialmente quando se deu a conquista do “far-west” americano e, com a invenção dos navios frigorificados, dos pampas argentinos. Mesmo nas churrascarias de rodízio atuais, parece que a carne de porco só é oferecida quando alguém já se fartou de carne bovina, mostrando a sua inequívoca civilidade alimentar.

O porco, assim como outros pequenos animais, ficou em segundo plano. Os grandes latifúndios pecuários contrastam com a criação doméstica de porcos, galinhas, carneiros e cabras –as chamadas miuças- desde o inicio da colonização do Brasil. Assim, é entre os homens livres e pobres, especialmente do sertão, que se firma a preferência pelo porco, criando um vínculo de continuidade com os colonizadores ibéricos que o tinham em alta estima alimentar.

A culinária da Península Ibérica, com suas carnes de porco, borregos e carneiros, cabritos e galinhas, cozidos, refogados ou assados; ou empanados em pastelões (o que hoje chamamos tortas), foi o nosso legado primordial. A ameaça a essa tradição só pode vir, portanto, de outra esfera da cultura: a hegemonia do pensamento médico-urbano sobre outras formas de apreciação do comer. (…)”

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