"Ele não sabia o que fazer"
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"Ele não sabia o que fazer"

Ricardo Lombardi

19 de novembro de 2008 | 05h50

Circular: “Ele caminhou pelo lado selvagem sem ter lido Nelson Algreen, nem ouvido roqueiros e sua marginalidade de milhões de dólares, e muito menos sabido da existência de poetas beat. Sua marginalidade era de fabricação própria; ele não precisou ler ou ouvir ninguém, exceto o comunicado da polícia de que sua mãe fora assassinada, estrangulada com suas meias. Ele não sabia o que fazer, tinha 10 anos. Poucos anos depois, o pai morreu. Os laços estavam desfeitos, não havia compromissos, estava livre. Ele levou muitos anos para entender que seu sentimento, a partir daí, era o de ter sido abandonado. E tratou de buscar a companhia de outros abandonados como ele. E entrou em todas. Era um sem-teto e vagava por Los Angeles. Não demorou muito para se tornar um alcoólatra, viciado em todas as drogas, assaltante, ladrão e um assíduo freqüentador de prisões, sendo detido mais de trinta vezes. E estava enlouquecendo. Passou mais de dez anos nesse ritmo. Nem ele sabe como deu o fora do jogo e sobreviveu. O fato é que, nos meados dos anos 70, James Ellroy parou com a bebida, com as drogas e as tentativas de ganhar dinheiro fácil. Trabalhou em tudo. E começou a escrever. Em 1979, publicou seu primeiro romance: Browns’s Requiem. Em 1981, foi para Nova York, sempre escrevendo. Publicou mais quatro livros: Clandestine, Blood On The Moon, Because The Night, Suicide Hill. No sétimo, imitação profana de outro criador, ele descansou: Dália Negra foi sucesso de crítica e de público, chamou atenção para seus livros anteriores e ele virou talk of the town. (…)” (José Onofre, em “O marginal engajado”, sobre James Ellroy).

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