"Depois a gente morre e esquece tudo"
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"Depois a gente morre e esquece tudo"

Ricardo Lombardi

18 de dezembro de 2008 | 06h07

Circular: “(…) Vou lhe dizer a que ponto um homem pode despencar. Tinha uma música do B. B. King que dizia: ‘Ninguém me ama, a não ser minha mãe/ E ela também pode estar só fingindo’.

O mal está de tocaia ali onde a frustração faz a sua morada.

Todos os meus filhos se chamam George Foreman.

Mudar a natureza da gente é a coisa mais difícil. Mas descobri que a gente pode ser aquilo que escolher.

Conquistar o título pela segunda vez, contra Michael Moore, foi um momento especial. Porém não foi nada além disso. Uma semana depois, as pessoas me cobriam de elogios, e foi duro, porque tive de agir como se aquilo ainda fosse importante. Mas já tinha acabado.

Pregar é a coisa mais original que já fiz. Não tem nada de simples. A gente tem de ter coragem.

Perder a mãe é a perda mais misteriosa que existe. Sabe aquele jeito como os astronautas andam no espaço, presos à nave espacial por um cabo? Na hora em que a gente descobre que a mãe morreu, a gente se sente como se o cabo tivesse arrebentado e se soltado da nave espacial. A gente fica lá flutuando no vazio. Flutuando… Flutuando… Lembro que a minha filha telefonou e disse: ‘Não se preocupe. Eu já estou indo para aí’. E de repente o cabo se prendeu de novo e eu estava ancorado outra vez.

A primeira coisa que me veio à cabeça quando assinei o contrato do George Foreman Grill, pelo valor de 137,5 milhões de dólares, foi: vou fazer minhas irmãs ficarem milionárias. Depois de tantos anos, elas vão afinal ficar milionárias. E ficaram milionárias mesmo ? com os mesmos velhos problemas de todo mundo.

Eu adoro o Joe Frazier. Ele foi um cara original desde o início. Alguns anos atrás, Joe, Muhammad e eu fizemos um vídeo na Inglaterra. Depois da gravação, a gente foi a um jantar beneficente com alguém da família real. Estavam servindo costeletas de carneiro com gelatina de menta ? uma comida maravilhosa. O garçom perguntou: ‘Posso lhe servir mais alguma coisa?’ E o Joe disse: ‘Quero mais um pouco da geléia verde’. O garçom respondeu: ‘O senhor se refere ao molho de menta?’ Joe respondeu: ‘Dá na mesma’. Aí eu pensei: Há gente que tem muitas caras, uma cara para um e outra cara para outro. Mas esse homem tem só uma cara. ‘Dá na mesma.’ Se você entendeu o que ele disse, por que precisa corrigir?

Não consigo parar de fazer exercício.

Depois que perdi para o Ali, no Zaire, espalhei para todo mundo que fui roubado. As cordas estavam frouxas, a água estava batizada com drogas… Então, quando mudei a minha natureza, me dei conta da minha mancada. Por que eu tinha de cuspir na vitória daquele grande homem?

Liguei para Muhammad Ali outro dia. Falei: ‘Muhammad, acho que agora eu posso derrotar você numa revanche’. Ele respondeu: ‘Está maluco!’ Ele não fala depressa, mas me disse: ‘George, vou aí visitar você’. Falou com amor. Não, eu não tenho mágoas.

Minha mãe me dizia: ‘A gente vive e aprende. Depois a gente morre e esquece tudo’.”

(George Foreman, na foto, em “O que aprendi“, publicado na Piauí).

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