De como uma boa idéia pode reaparecer
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De como uma boa idéia pode reaparecer

Ricardo Lombardi

01 de julho de 2008 | 07h12

No ano passado, como postei aqui, o repórter Gene Weingarten fez uma das melhores matérias que tive a oportunidade de ler. Ele levou para uma movimentada estação de metrô de Washington o violinista Joshua Bell, um dos principais nomes da música clássica contemporânea, e fez com que ele ficasse tocando, incógnito. Na época, conheci a reportagem pela Piauí, que publicou uma tradução. “Nos quase três quartos de hora que Joshua Bell tocou, sete pessoas pararam o que estavam fazendo para ficar por perto e acompanhar a música por, pelo menos, um minuto. Vinte e sete deram dinheiro, – totalizando 32 dólares e trocados. O que nos deixa com 1070 pessoas que passaram por ali às pressas, sem perceber nada, muitas a apenas 1 metro do músico, poucas nem sequer virando o rosto para olhar”. O texto ganhou o prêmio Pulitzer. No domingo passado, Gene escreveu uma coluna no Washington Post em que revela ter descoberto uma reportagem semelhante, realizada 77 anos antes da dele, com a ajuda do violinista prodígio Jacques Gordon (foto). “Estou aqui sentando olhando para o meu prêmio Pulitzer, que é dado em parte pela ‘originalidade’, e estou rindo. A ignorância é uma defesa? Existe um estatuto de limitações sobre originalidade? 77 anos é OK? Estou pensando que lá pelo ano 2085, um escritor — alguém que ainda nem nasceu — vai se levantar um dia com uma uma idéia incrível….”.

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