Como o parto virou uma indústria
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Como o parto virou uma indústria

Ricardo Lombardi

30 de maio de 2008 | 06h54

Sugestão de leitura do meu baú de textos: li na praia, numa edição de outubro de 2006 da New Yorker; um texto da seção “Annals of Medicine”, escrito pelo médico Atul Gawande. A longa e minuciosa matéria mostra como o parto evoluiu para o que é hoje – uma técnica “industrial”, que culminou com uma padronização, conquistada pelo sucesso da cesariana. A reportagem conta a história dos vários métodos usados nos partos ao longo do tempo, como o que utiliza o fórceps (“a história do fórceps é ao mesmo tempo extraordinária e perturbadora”, escreve o autor). Lá perto do final, vem a pergunta mais importante: “A medicina é uma habilidade [craft, no original, que também pode ser traduzida como “arte”] ou uma indústria? Se é uma habilidade [arte], então você foca em ensinar aos obstetras uma gama de habilidades artesanais (…) Você faz pesquisa para achar novas técnicas. (…) Mas se a medicina é uma indústria, responsável pelo nascimento da forma mais segura possível de milhões de bebês a cada ano, então seu foco muda. Você procura segurança.”

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