Angeli e os óculos escuros
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Angeli e os óculos escuros

Ricardo Lombardi

07 de novembro de 2008 | 06h17

Ótimo texto de Armando Antenore na Bravo de novembro: um breve perfil do chargista Angeli. Reproduzo um trecho:

“Muitos dos personagens que inventou usam óculos escuros, apesar de raramente enfrentarem o sol: Rê Bordosa, Ritchi Pareide, Bob Cuspe, Nanico, Mara Tara, Wood & Stock. Ele próprio, em auto-retratos, costuma ocultar os olhos sob lentes negras. Entretanto, não reparava no cacoete. Percebeu-o apenas depois que alguns leitores comentaram. ‘É verdade!’, admitiu, surpreso. ‘Estão todos de óculos escuros… Mas por quê?’ Até hoje, não encontrou uma resposta convincente. Já disseram que o acessório representa o lado sombrio do cartunista — a sedução pela boêmia, as ressacas indomáveis, o apego desenfreado às drogas. Embora respeite a tese, Angeli não ousa ratificá-la. Considera a interpretação excessivamente literal.  — Sim, tomou porres homéricos, atravessou madrugadas cheirando cocaína, uivou em bares e se entregou sem rédeas à cafajestagem. Viveu la vida loca inclusive durante os dois primeiros casamentos (da segunda união, longuíssima, nasceram os filhos Pedro e Sofia). Somente após conhecer Carol, a terceira mulher, é que o panorama começou a se modificar. Ela tinha 17 anos. Ele, 38. Àquela altura, julgava-se um ‘lobo meio caquético’ e farejava uma boa dose de inocência na jovem que contratara como arte-finalista.”

(A foto é de Ana Ottoni).

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